terça-feira, 25 de agosto de 2015

O enforcado - Lendas e fábulas do Brasil


Era uma vez um homem que veio de longe, apoiado a um bordão, como um peregrino, e que, como um peregrino, trazia sandálias de couro e roupas em farrapos. Andou dias e dias, noites e noites, semanas e meses a fio, buscando sabe Deus o que.
Certa vez as sombras da noite o alcançaram em pleno descampado e ele não saberia dizer se estava longe ou perto de uma cidade, porque uma alta montanha em frente lhe fechava o horizonte. E então, cansado de andar, vendo uma árvore copada, no campo, resolveu nela passar a noite. Descalçou as sandálias, subiu agilmente pelo tronco, acomodou-se entre os galhos e adormeceu, como as aves.
Em torno era tudo silêncio. Pouco a pouco, os animais noturnos, silenciosos, saíram de suas tocas e iniciaram a caça pelos arredores.
Era tarde já, quando o homem acordou com um rumor de vozes humanas. Depois, ouviu um longo canto, e, erguendo a cabeça que tinha apoiado à forquilha formada por dois galhos, viu ao longe pequeninas luzes que ondulavam com o vento, endireitavam-se, iam de um para o outro lado, porém caminhavam, evidentemente, para o lado onde ele estava.
- Que será? – pensou, com um arrepio na espinha.
Ao aproximarem-se, reparou que eram homens vestidos com longas camisolas brancas e que levavam velas acesas. Na frente caminhava um padre, com uma cruz nas mãos.
O homem empoleirado esfriou.
- Será procissão das almas? – pensava, batendo os dentes de medo. Decidiu permanecer imóvel, para que não percebessem que ele estava ali.
Qual não foi, porém, o seu espanto e o seu susto, quando os homens pararam justamente sob a árvore, onde ele estava, e um deles falou:
- Qual de nós vai subir à árvore para trazer o homem?
Viu que eles se entreolhavam e que nenhum parecia disposto; no entanto, acabariam por se decidir. E mal pôde falar, de tanto que tremia:
- Ninguém precisa subir. Eu desço.
Nem podia acreditar no que viu em seguida, tão esquisito lhe pareceu tudo aquilo. Assim que lhe ouviram a voz os homens largaram as velas, o padre jogou a cruz para um lado, e saíram todos correndo, como se tivessem visto, naquele momento, Satanás em pessoa e, atrás dele, um milhão de demônios.
- Santo Deus! – gemeu o homem, benzendo-se.
Pulou da árvore e saiu correndo também, mas em direção oposta à dos outros.
Assim que o dia clareou, o peregrino voltou ressabiado, curioso para ver se descobria o que havia acontecido naquele malfadado lugar.
- Eu com medo deles e eles com medo de mim, essa é boa! – resmungava intrigado.
Foi direto à árvore e correu-lhe um frio pela espinha. Lá estava, balouçando no ar, um homem enforcado.
Então, compreendeu tudo. Os que iam retirar o criminoso enforcado, para enterrá-lo em algum cemitério, pensaram que fora o morto quem respondeu que ia descer.
Mais tarde, quando o peregrino chegou à cidade, havia lá uma grande agitação. Faziam-se grupinhos em todas as esquinas, nas praças, diante da casa do padre.
Ele parou ali, para ouvir as conversas. Diziam que um enforcado respondia ao que lhe perguntavam.
- Vai-se ver é alguém que morreu inocente – opinavam.
- É capaz.
- Que aconteceu? – perguntou o peregrino, acercando-se.
- Pois foi um criminoso enforcado, fora da cidade, num angico que há no meio do campo, e ontem à noite Seu Padre e os homens das irmandades religiosas foram buscá-lo, para fazerem o enterro dele, que é falta de caridade deixar um corpo pendurado para os urubus comerem. Pois não é que na hora de irem buscar o corpo, quando confabulavam para ver quem ia subir, o defunto falou lá em cima, que não precisava ninguém subir não, que ele descia!
O peregrino nada disse.
Em suas andanças pelo mundo havia aprendido que às vezes é de boa política ocultar a verdade.
Atravessou a cidade em silêncio, em silêncio se foi, e nunca souberam os habitantes do lugar o que havia realmente acontecido.


Do livro Lendas e fábulas do Brasil. Selecionadas, prefaciadas e recontadas por Ruth Guimarães. Ed. Cultrix.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Morreu mesmo - Lindolfo Gomes

Um novato foi mandado podar umas árvores. Como não tinha prática nesse serviço e era muito tapado, apoiou a escada num dos galhos e pôs-se a serrá-lo. Passava por ali o vigário da freguesia (o padre da paróquia) e o advertiu:
- Olha, amigo, desse modo vens abaixo!
O moço era, além de estúpido, teimoso. Sem dar maior atenção ao padre, continuou o trabalho.
O padre prosseguiu o seu caminho. Vai por um pouco... Zás! Parte-se o galho e vem ao chão tanto a escada como o podador, que ficou com um dos braços em petição de miséria.
Quando se recuperou, ficou admirado com a adivinhação do padre, e pensou consigo mesmo que, se o padre tinha adivinhado seu tombo, poderia também adivinhar o dia de sua morte. Foi ao encontro do padre e falou-lhe:
- O senhor disse que eu ia cair da árvore e, dito e feito, caí mesmo. Bem que eu queria agora que o senhor adivinhasse o dia da minha morte.
O padre achou aquilo engraçado e resolveu zombar um pouco dele.
- Olha, bem sei quando você vai morrer. Será na hora em que, indo de viagem, montado na sua mula, você a vê soltar três puns seguidos.
O rapaz agradeceu muito e foi-se.
Todas as vezes que viajava, tranquilo na ruana, ia muito atento pra ver quando a mula soltava os tais puns.
Certa feita, ao chegar a uma volta do caminho, a mula preparou-se toda e soltou um, dois, três puns...
O novato, que os havia contado com o coração aos pulos e acreditando na previsão do padre, julgou chegada a sua hora extrema, atirou-se da sela pro chão e soltou um grito:
- Morri!
Não se moveu mais, seguro de que estava morto.
Vai depois, passaram por ali uns trabalhadores que deram com ele estendido no meio do caminho. Crendo-o morto, foram buscar uma rede no vizinho mais próximo, puseram-no dentro dela e o conduziram para sua casa, rezando todo o terço.
Lá muito adiante, obra de uma légua, havia duas encruzilhadas.
Os homens ficaram indecisos: qual delas seria o caminho mais curto para chegar ao cemitério?
Começaram a teimar entre si, até que o defunto ergueu a cabeça do fundo da rede e disse-lhes:
- Olhem, amigos, no tempo que eu era vivo, o caminho mais curto era à esquerda.
Assombrados, os homens atiraram a rede ao chão com o defunto e tudo e fugiram em disparada.
Com a queda o rapaz morreu de verdade.
E a adivinhação do padre foi acertada: o bicho morreu mesmo!

(do livro Contos populares brasileiros, edições Melhoramentos)


domingo, 23 de agosto de 2015

Vejo televisão, logo penso

- TRIMMMMMMMMMMMMMMMM...
- TRIMMMMMMMMMMMMMMMM...
- Alô?
- Teco, o que você está fazendo?
- Estou vendo televisão.
- Televisão? Pra quê?
- Pra saber o que pensar.
- Puta que pariu! "Temo mal, hem"?


(Tiradas do Teco, o poeta sonhador)

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Tão tão distante...


Sonda chega ao ponto mais próximo de Plutão após nove anos de viagem

Planeta-anão fica na borda do sistema solar, na órbita mais distante do sol.
New Horizons viajou quase cinco bilhões de quilômetros no espaço.



TECO - Cara, você mora muito longe daqui?
ET - Bah, é tão longe que se começo a pensar não paro mais!!

(Tiradas do Teco, o poeta sonhador)

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Vocês que fazem parte dessa massa


- Teco, não consigo entender como vocês humanos conseguem, ao mesmo tempo, conceber figuras históricas geniais, como Galileu, Da Vinci, Mandela, Drummond, etc. e tal, e massas tão decadentes, como racistas, fascistas, homofóbicos, intolerantes, etc.... Consegues me explicar?
- Hum... Como você anda ácido hoje. Estou me sentindo naquela confusão intelectual que me pede pra colocar de molho todos os meus julgamentos...
- Entendi. Você já não sabe o que é certo ou errado, bom ou ruim... Só não me venha com o papo de que cada um tem a sua opinião.
- O que você quis dizer com isso?
- Massa. Boa parte de vocês é massa de manobra, manada que segue o rumo que a maioria toma!
- Putz! Hoje você tá pegando pesado com os humanos, hem?


(Tiradas do Teco, o poeta sonhador)

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Ausência

Durante minha ausência bolinei com a saudade. Retirei-me da tomada, precaução pra respirar um mundo novo. Salvo, não quis ser confundido com um pen drive carregado de dramas e conflitos. Quis abrir as portas das percepções e mergulhar num para-universo, me afastar desses humanos quase-máquinas barulhentas e ansiosas. A vida é jogo rápido e monótono. Um jardim da infância habitado por monstros. Sobreviva. Acomode-se. Sorria, você está sendo devorado.

(Tiradas do Teco, o poeta sonhador)


sábado, 15 de agosto de 2015

O que é que tem?

Se você é banguela, míope ou careca, narigudo, surdo ou furta-cor, o que é que tem? Você pode ser espinhento, gordo e tímido, chegar por último e dançar sozinho, ter pais ridículos ou ser adotado... Mas você pode ter amigos e amores invisíveis, e provar pra todo mundo – de Ijuí a Boa Vista do Cadeado – que todos, todos menos você, são estranhos e retardados!

(Tiradas do Teco, o poeta sonhador)

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Doce sonho


Sonhei que competia com crianças, numa disparada frenética. Quem se aproximava da linha de chegada tinha água na boca. É que os troféus eram doces, lindas tortas, sorvetes, sucos e quindins. Quanto mais corria, mais distante do pódio ficava – e minhas pernas flutuavam sem sair do lugar, tamanha era a sede e a fome. Foi tanta aflição, tanta dor, que pra minha sorte fui salvo com o berro do despertador!

(Tiradas do Teco, o poeta sonhador)

domingo, 9 de agosto de 2015

The day after - Antonio Prata



ET - E acabou por quê?
Último Remanescente da Humanidade (URH) – Resumindo bem, a Terra esquentou muito e a gente, tipo, cozinhou.
ET – Ah… Foi meteoro? Vulcão? Gigante Vermelha?
ÚRH – Não, no caso, foi vacilo, mesmo. A gente queimou petróleo, muito petróleo, até o mundo virar uma sauna seca.
ET - E queimaram petróleo pra quê?
ÚRH – Pra se locomover, basicamente. A gente criou umas caixas de metal que queimavam petróleo e te levavam de lá pra cá, sem você ter que cansar as pernas.
ET - E vocês iam de lá pra cá, pra quê? Pra fugir de predadores?
ÚRH – Não, não. Os predadores viraram bolsa e tapete bem antes. A gente queimava petróleo pra ir e voltar do trabalho, da padaria, do posto, onde a galera ia encher a caixa de metal com mais petróleo e fazer uma social na lojinha, tomando Skol latão.
ET - E por que vocês não iam a pé pro trabalho, pra padaria, pro posto, fazer social na lojinha, tomando Skol latão?
ÚRH – Porque todo mundo se aglomerava numas cidades enormes e acabava ficando meio longe do trabalho, da padaria, do posto.
ET – E por que vocês não se dividiam em cidades menores, onde dava pra fazer tudo a pé?
ÚRH – Porque nas cidades enormes tinha mais possibilidade de trabalhar e de ganhar dinheiro pra poder comprar uma caixa de metal maior e mais cara, que gastasse mais petróleo.
ET - E por que alguém quereria isso?
ÚRH - Porque dava status e status era tudo. No trabalho, na padaria, no posto, neguinho via tua caixona de metal, capaz de ir a 240 km/h e dizia: “Pô, ó o cara!”.
ET - Nossa, olhando esses escombros, agora, nem dá pra imaginar que por aqui passavam caixas de metal a 240 km/h.
ÚRH – Não, na verdade, não era assim, não: como eram muitas caixas de metal e todos queriam se locomover ao mesmo tempo, ficava tudo engarrafado. Nos horários de pico a média era de 8 km/h.
ET – Ué, até onde eu sei, com as pernas vocês podiam ir mais rápido que isso, não?
ÚRH – Poder, podia. Mas a gente preferia ir devagarinho na caixa de metal, com os vidros fechados, ar condicionado e insulfilme, de boa, ouvindo notícias sobre o trânsito e tirando meleca do nariz.
ET – Tirando meleca do nariz? Dava algum prazer físico, isso?
ÚRH – Dava um prazer medíocre. E uma culpinha, também. Prazer mesmo dava era o sexo, mas no fim ninguém mais tinha tempo pro sexo, porque tava ou trabalhando que nem louco pra comprar uma caixa de metal, ou parado dentro da caixa de metal, por horas, tentando chegar ao trabalho, onde trabalharia que nem louco pra comprar outra caixa de metal.
ET – Então vocês todos morreram porque gostavam de ficar parados em caixas de metal que queimavam petróleo pra levar vocês de lá pra cá a uma velocidade inferior à das próprias pernas?
ÚRH – É. Por causa disso, das bandejinhas de isopor e de umas pessoas que insistiram até o fim em empurrar folha na calçada com o esguicho.
ET – Oi?
ÚRH – Esquece. Podemos falar de outro assunto? E lá de onde cê vem, é bonito? Fresquinho? Tem praia?
(Antônio Prata é escritor. Publicou livros de contos, entre eles “Meio Intelectual, Meio de Esquerda”. Filho do escritor Mário Prata, escreve aos domingos na Folha de São Paulo).

Carreira solo



Dizem que devo planejar, pra encontrar o caminho certo. No momento, apenas quero inventar minha carreira solo. As bugigangas que carrego, em vez de celular, serão alegres histórias pra inspirar. Príncipe ou mocinho, lúcido ou louco como Quixote, montado no Rocinante. Parceiro de Alice, Emília e Maluquinho, darei rédeas pra aventuras, charadas e adivinhas. Nos porões, torres, escadas, contracenarei com princesas encantadas, duendes e fadas. Farei acordos políticos com lobos e três porquinhos, bruxas e chapeuzinhos, maças envenenadas e anõezinhos. Um mágico, o mago mais belo, vou namorar nas torres dos castelos. Deus me traga sonhos à vontade, me livre da insanidade de competir com todo mundo, pra exibir medalhas e diplomas na parede. Meus planos A e B não passam de maestro da orquestra. Basta alguma afinação pra vida virar festa! 

(Tiradas do Teco, o poeta sonhador)

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Quero-me-encontrar



Sou do planeta Quero-brilhar e, quando os sonhos são pretensiosos, sonho que sou jogador de futebol. Quando são humildes, sou frentista ou padeiro. Motorista, de janeiro a janeiro. Médico e advogado, de fevereiro a março. Depois que meus sonhos foram roubados, persigo o sonho dos outros. Já não me reconheço diante do espelho. Meu planeta saiu dos trilhos. Hoje sonho que sou astrônomo e vasculho os céus para ver se localizo o planeta Quero-me-encontrar, porque é lá que eu quero morar!

(Tiradas do Teco, o poeta sonhador)

sábado, 1 de agosto de 2015

Metafísica


(São João Batista, de Leonardo da Vinci)

TECO – Parece bobeira perguntar, mas por que você olha tanto pro céu?
ET – Bobeira maior é responder àquilo que você já sabe!
TECO – Por que me ensinaram que, se é possível encontrar respostas pras grandes perguntas, elas virão quando olho pra cima?
ET – Quais perguntas?
TECO – “De onde viemos?”, “Para onde vamos?”
ET- Eu desci do céu, kkkkkk. Mas não sei pra onde vou... Procurar respostas para a morte e a vida após a morte é como procurar agulha num palheiro... É como dormir e não saber se vai acordar... E, se por acaso acordar, viver a surpresa de não saber o que virá pela frente!


(Tiradas do Teco, o Poeta Sonhador)

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Sonhos


Perdidos no universo, meus sonhos são pequenos, parecem brinquedos que carrego no bolso. Mas quando anoitece, eles são gigantes que me protegem, e aquecem as avenidas frias do meu coração.
(TIRADAS do Teco, o poeta sonhador.)

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Todos os poemas de amor são ridículos


- Tchê, aconteceu... Não consegui evitar...
- Mas o que foi que houve??
- Acho que tô apaixonado...
- Ah, não! Vai começar tuudo de novo! Vai ser duro te aguentar escrevendo aqueles poemas ridículos!!


 (Tiradinhas do Teco, o poeta sonhador)


(do poema Todas as cartas de amor são ridículas, de Álvaro de Campos).

terça-feira, 30 de junho de 2015

Homo roboticus



Teco – Muitos humanos, no início do século XX, dedicaram boa parte de sua vida apertando milhões de parafusos em fábricas de automóveis.
ET – Meu Deus! Deixaram de ser homo sapiens e se tornaram homo roboticus!
...
ET – Ah... Robôs com defeitos humanos: mal-humorados, deprimidos, fracassados...

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Teco e os devaneios sobre a garota de Ijuí



Primeira tirinha do Teco, e da parceria Téoura&Américo



Primeira tirinha do Teco, e da parceria Téoura&Américo.`
É com muita alegria aceitei o convite do Américo pra desenhar as tirinhas do Teco, o que está sendo um desafio muito recompensador para mim. Grande parceria, muitas possibilidades. Estou feliz. Agradeço ao Américo Piovesan por colocar o Teco nas minhas mãos e também ao Mauricio Azevedo pelo apoio no processo de criação.
Até mais!
Téoura.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Me dê motivos



    TECO - Ele foi pregado na cruz                ET - Caramba! Eles arranjam
porque dizia que os humanos deviam             cada motivo para matar!
    ser legais uns com os outros.

sábado, 30 de maio de 2015

GRANDE PRESENÇA!



TECO - Você acha que o Américo merece presente de aniversário?
ET - Você não ama a vida que leva? Graças a ele você tá aqui!
- Tá... mas ele é muuuito chato. Não me deixa fazer o que quero!
- Relativiza, relativiza... Já disse Renato Russo que teus pais são crianças como você...
- Sim. E a Elis Regina disse que nós ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais. kkkk...

- Já sei o presente que o Américo vai ganhar!
- Qual?
- Ele sempre poderá contar com minha GRAAANDE PRESENÇA!! 

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Sentimento TUMTUMTUM



Eis que passa um carro com o som a toda...
TUM, TUM, TUM, TU, TU, TU, TUM, TUM, TUM!!!
ET – O que eles querem com tanto barulho??
TECO – Sei lá... Acho que é falta de assunto.

Teco apresenta algumas músicas para seu amigo.
TECO – Quando ouço as “Quatro estações” do Vivaldi, parece que sinto a mudança das estações do ano...
Nisso, passa um carro com o volume do som a mil...
TUM, TUM, TUM,TU, TU, TU, TUM, TUM, TUM!!!
ET – Caramba! Que estação é essa??
TECO – Isso tá mais pra terremoto ou tsunami!...

Pouco depois circula outro carro:
TU, TU, TU, TUM, TUM, TUM, TU, TU, TU!!!
TECO – O que será que eles sentem nessas horas??
ET – Captei o sentimento deles!!
TECO – E qual é??

ET - É o sentimento TUMTUMTUM!!!

terça-feira, 26 de maio de 2015

Assassinaram a Mafalda



ET – Vê se não enrola. Deve haver algum personagem que você se identifica...
TECO – Bem, não queria espalhar isso... Você sabe como tem gente fofoqueira por aí.
ET – Então conta só pra mim. Sabes que sou um túmulo!
TECO – Certo. Eu me amarro na Mafalda.
ET – E quais tirinhas dela te vêm à mente agora?
TECO – Pra dizer a verdade, gosto de todas as tiras dela. Mas fiquei chocado com o que um amigo argentino falou a respeito da pessoa dela...
ET – O que ele falou??
TECO – Ele disse que a Mafalda está com 65 anos. E um amigo dele, que a conheceu, disse que ela trabalhou numa boate e namorou um traficante. Ah, e passou seis meses numa clínica de reabilitação por ter se viciado em bugigangas de camelódromos.
ET – Por acaso esse teu amigo argentino se chama Gustavo Héctor Brun?
TECO – sim.

 ET – Não embarque na conversa dele! Ele morre de ciúmes dela!!

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Fome



ET – Mas... Boa parte da angústia adolescente deve-se à dúvida sobre a possibilidade de haver vida após a morte...

TECO – Fodam-se! Eu tento não me angustiar quando penso que quase um bilhão da população mundial passa fome!

(Fotografia de Sebastião Salgado. Do livro Gênesis)

domingo, 24 de maio de 2015

Meu carro minha vida


ET - Cara, você não acha estranho as pessoas desfilarem em carros de luxo, escondidos pelos vidros escuros?
TECO – Não. Hoje em dia os carros valem mais do que as pessoas.

ET – Hum... Palmas para o presidente Mujica, que dirigiu seu país pilotando um fusca!


quinta-feira, 21 de maio de 2015

Paixões intergaláticas



Cara, me explica          É tudo muito normal.       Bah, não entendi       É aquela troca
como funciona uma      Enquanto vocês vivem                nada!            de fluidos que
paixão extraterrestre.   o amor Platônico, nós                                  demora anos-luz
                                vivemos o amor  etônico.                              pra  se realizar.

(Tiradinhas do Teco, o Poeta Sonhador)

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Self service do amor


Uns beijam, outros não. Os que iniciaram há mais tempo, sonham atingir o último degrau do amor. Outros, porém, se enfeitiçaram e se enredaram com novas modas.
Basta ter sede para ampliar a lista de contatos, e um bom aparelho que capte os sinais, fascinantes como outdoors.
Seja bem-vindo, apocalipse!
Não há tempo disponível para se arriscar com carinho, amizade, cumplicidade e, enfim, criar vínculos. Abrir pra ela a porta do carro, espalhar bilhetes apaixonados pelos caminhos.
Quando a serpente das “coisas virtuais” seduziu a intimidade dos Adões e Evas atuais, o amor partiu cabisbaixo, convencido de que é um inútil, uma perda de tempo.
Sabores instantâneos no whatsapp. Vídeos para todos os gostos. Performances sexuais, ingênuas ou atrevidas. Câmera do celular ligada, corpos despidos num aposento qualquer. “Abra as pernas, garota! Deixa que eu abro (fecho) portas e janelas. ‘É nóis!!’ Vamos alcançar um milhão de curtidas. Comigo você vai ganhar o mundo!” – diz o cafetão play boy.
Meninos e meninas, no pouco espanto que resta, baixam fotos e vídeos, e compartilham a santa ceia da tecnologia. Repartem o pão e o vinho da nudez sem segredos, sozinhos em seu quarto, atrás da tela do computador.

Neste self service de sabores instantâneos, como massa miojo, quase ninguém percebe um amor genuíno: o passeio, de mãos dadas, do casal de velhinhos.

domingo, 10 de maio de 2015

Particípio


Amado e idolatrado, sou particípio de um tempo bem porreta. Ela não se tocou mas seu verbo soou falso. O mundo anda engraçado. Depois do sonho da noite deixei de ser careta. Verbo que desfilou pelado na despedida de solteiro. Epicentro de uma dúzia de ninfetas. Um verbo invocado, que fugiu do dicionário. Verbete temerário aos moralistas de plantão. Verbete vacinado contra o vírus do lugar comum!

(Tiradas do Teco, o poeta sonhador)

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Amor Amor - Cacaso





Quando o mar
quando o mar tem mais segredo
não é quando ele se agita
nem é quando é tempestade
nem é quando é ventania
quando o mar tem mais segredo
é quando é calmaria
quando o amor
quando o amor tem mais perigo
não é quando ele se arrisca
nem é quando ele se ausenta
nem quando eu me desespero
quando o amor tem mais perigo
é quando ele é sincero
http://letras.mus.br/cacaso/240023/

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Abobado



Acho que esse meu tempo
é um tempo de antigamente
onde fico abobado
sonhando um passo na frente
tropeçando acordado
meio bicho meio gente.

Amo tanto minha vida
se penso fico contente
amo Rosa e Margarida
quero ficar pra semente
só não quero acordar
retardado e demente!

(Tiradas do Teco Poeta Sonhador)

segunda-feira, 4 de maio de 2015

O poeta... - Mario Quintana


O poeta adolescente traz no
bolso
o soneto que fez ontem de
noite:
só isso basta para justificar a
vida,
o soneto não presta, a vida é
boa,
os sinos chamam por amor!

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Assim caminha a pós-modernidade


Quando Pascal olhou pro céu                         Quando ET viu as gatinhas
e se viu pequeno diante de um                   dançando num baile funk, disse:
  universo infinito, disse:                                  "O rebolado desses
"O silêncio desses espaços                              bumbuns alucinados
      infinitos me apavora."                                    me apavora!"


(TIRADINHAS do Teco Poeta Sonhador)

Original

Aniversário, dois dias reunindo amigos, churrasco, bebida, muitos planos com meu amor, debates sobre o que fazer para salvar a humanidade. ...