sábado, 1 de setembro de 2018
Nuvem passageira
Quem sou eu?
Sangue
átomo
matéria
espírito
assovio
roubado pelo vento.
Uma cabeça confusa
com seu olhar embaçado
pelas cores e formas
do lixo que me sufoca.
Sou amigo dos bichos.
Me espanto com pássaros
acasalando,
com a música de grilos
metálicos.
Acredito em todos os meus sentidos,
e sinto a
presença de Deus nesses jardins abandonados,
na carcaça da cigarra presa no
tronco, no olhar do cão abandonado.
Um dia vou morrer. Por isso quero sentir tudo, aqui
e agora.
Sem pensar na recompensa. Se vai ser o fim de tudo,
ou um novo recomeço.
Vai, nuvem passageira. Não pense demais. Deixar para amanhã pode ser
tarde.
(Teco, o poeta sonhador)
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