O amor foi criando raízes,
cravando-se mais fundo
quando ela me submeteu
mergulhar a cabeça do Júnior
numa taça enorme de cerveja.
O garoto despertou na sucção,
dobrou de tamanho,
se engraçou todo e quis agir,
bebum como o papai.
O amor, ah, o amor.
Primeiro, a escova de dentes.
Depois o creme pro cabelo,
a toalha esquecida após a praia.
Vieram os prendedores,
brincos e pulseiras largados na mesa,
o celular dormindo atrás do sofá.
A geladeira nunca esteve tão cheia.
Chocolate, até os de 70% cacau
- deve ter algum papel
no nosso tesão.
Ontem, ela trouxe uma sacola
de roupinhas
“pra fazer amor”.
Dezenas de calcinhas e sutiãs,
cores e estilos variados.
Foi aí que entendi:
não há caminho de volta.
Vamos ter que cuidar
e aguentar um ao outro
até o fim dos dias.
Que o amor seja eterno
enquanto duro.
(B. B. Palermo)