O vaivém

  
Zuza era um velho que trabalhava como carpinteiro.
Sua oficina estava sempre limpa, e as ferramentas eram bem cuidadas  e guardadas no seus devidos lugares.
O velho tinha a mania de batizar cada ferramenta com um nome.
O martelo chamava-se toc-toc, o formão rompe-rompe e o serrote, vaivém.
Quando um vizinho precisava de uma ferramenta, corria logo até a oficina do velho Zuza, para pedir emprestado. 
mas eles aprontavam ao velho, demorando pra devolver, ou até ficando com as ferramentas. Por isso o velho resolveu não emprestar mais.
Certo dia um menino, a pedido de seu pai, foi até a oficina, e disse:
- Papai pede para que o Senhor empreste o vaivém.
O velho Zuza fez uma carranca e respondeu assim:
- Menino, lembra do antigo ditado: "Mão vai, mão vem. Mão vem, mão vai. Mão vai, mão não vem, mão não vai mais!"?
E arrematou, dizendo pro guri:
- Volta e diz ao teu pai que, se vaivém fosse e viesse, vaivém ía, mas como vaivém vai e não vem, vaivém não vai! 

(Adaptado do livro Contos populares brasileiros, de Lindolfo gomes).

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