terça-feira, 30 de outubro de 2018

Desapega, Cadelão



Não tenho humor para pisotear as flores
das árvores deitadas na calçada.
Não suporto contemplar por muito tempo a bola de fogo
no entardecer do fim de outubro.
Não creio estar preparado para enfrentar a semana que avança
e o exame médico e o defeito no carro e a dor de ouvido e
a alegria e mau humor dos vizinhos.
Sem vontade de ouvir rock ou blues ou Debussy ou Beethoven.
O dia está quente e por isso não usarei máscara ou maquiagem.
Estacionei tempo demais nesse lugar.
Hora de desapegar e juntar umas coisas e seguir.
Rodeado de amigos, porém solitário,
não me preparei para isso.
Baby, decifra-me os sinais.
Você sempre diz que é hora de virar a página.
E repete, e repete, Não é uma questão de idade ou experiência.
E foi assim que você quase me convenceu a jogar na fogueira
toneladas de versos bem intencionados, mas pouco criativos.
No final das contas eu me contive, ou foi aquele medo.
Esteja à vontade para sempre repetir Desapega, Cadelão, desapega.
Eu não fico chateado, juro.
(B. B. Palermo)

Peixe vivo



Amor, me adote!

Adote um poeta mesmo que seja para guiar pela mão como bicho de estimação. Poodle, shitzu, pequinês, vira-latas, asseado, perfumado, o reizi...