O preço da paixão


É muito relativo sabermos o preço que pagamos, no convívio social, ao manifestarmos nossas paixões.



Um amigo meu fez comentários a respeito do dono do bar que ele frequenta, quando vai assistir os jogos da dupla grenal. O dono desse bar é torcedor apaixonado, e manifesta sua paixão como se estivesse assistindo o jogo na geral do estádio. Xinga o técnico pelas escolhas que este faz ao escalar determinado jogador, e xinga também algum torcedor mais exaltado (seu cliente), se este o contrariar.


Ele não se preocupa com o linguajar da economia, com equações do tipo “custo-benefício”. Não está nem aí para o fato de que, no cotidiano dos negócios, implicitamente, “operam” equações econômicas.


Porém, desconfio que os clientes observam a sua performance. E se suas manifestações apaixonadas conflituam com as manifestações de seus clientes, então ele pode estar conduzindo mal os negócios.


Temos curiosidade a respeito da vida dos outros. Observamos tudo o que acontece por aí. Prestamos atenção na maneira como os outros jogam e, se nos decepcionam, nos afastamos.


Com tantas novidades, mudamos de lugares e de pessoas que frequentamos. Acho que nunca como agora fomos tão ciganos. É que triplicam os convites, tanta gente colocando-se na vitrine.


Quando falo do cuidado que precisamos ter ao externarmos nossa paixão, não me refiro apenas aos negócios, mas a todas as esferas onde se dão as relações humanas.


Admiro as pessoas que conseguem se manter equilibradas na sociedade, e que passam aos outros uma imagem positiva, e assim servem de modelo para as gerações mais jovens.


Foi o que senti ao ver pela TV a despedida, do futebol, de Ronaldo Nazário.


Senti inveja. Uma inveja boa. Aquela inveja que me permitiu a seguinte pergunta: como estou conduzindo minha vida no contexto social, onde influencio e sou influenciado pelos outros?


Clipe