FINAL DE FESTA



Minha via-crúcis me fez suportar as lojas lotadas do centro, atrás do visual ideal para despertar seu olhar. Mas as vendedoras tinham a alma cansada e concentrada nas comisões do final de temporada.

Meus planos não eram os de ser o Papai Noel da festa. Precisava de uma performance genuína. Afinal, todos dizem para que sejamos improvisadores, e que façamos sempre diferente.

Precisava despertar sua atenção, como os fogos de artifício na praia de Copacabana, na virada de ano.

Minha inspiração andava meio desnorteada, por causa da cobrança maluca de alcançar um final feliz.

Todos estão cansados de saber que chegamos no final dessa festa que é o 2009 meio carentes de olhares e aplausos. E aqueles em que mais apostavámos que nos olhassem e aplaudissem, foram os mais indiferentes.

Os outros gravitam em órbitas diferentes, e a grana para pagar analista anda meio curta. Se os outros só falam de si mesmos, resta-nos o comércio. As roupas, jóias e calçados tornam-se o par ideal.

Não prometemos fidelidade, até que a morte nos separe. Já tínhamos assinado um pré-contrato com a moda. E a moda anda igual camaleão.

Eu não era diferente de todo mundo. Um amigo meu comprara a mesma camisa, e a estava usando justamente nesse dia.

Quem dera você não tivesse aparecido nessa festa. De mãos dadas com outro, você estancou a hemorragia de meus sonhos.

Clipe