sábado, 1 de outubro de 2016
Memória de minhas putas tristes - Gabriel García Marquez
Nunca me deitei com mulher alguma sem pagar, e as poucas que não eram do ofício convenci pela razão ou pela força que recebessem o dinheiro nem que fosse para jogar no lixo. Lá pelos meus vinte anos comecei a fazer um registro com o nome, a idade, o lugar, e um breve recordatório das circunstâncias e do estilo. Até os cinqüenta anos eram quinhentas e catorze mulheres com as quais eu havia estado pelo menos uma vez. Interrompi a lista quando o corpo já não dava mais para tantas e podia continuar as contas sem precisar de papel. Tinha minha ética própria. Nunca participei em farras de grupo nem em contubérnios públicos, nem compartilhei segredos nem contei uma só aventura do corpo ou da alma, pois desde jovem me dei conta de que nenhuma é impune.
(Do livro Memória de minhas putas tristes. Editora Record)
Assinar:
Postagens (Atom)
Metade lobo, metade homem
Hoje me dei conta de que seu travesseiro repousa junto ao meu, no lado esquerdo da minha cama - e pensei no Lobo da Estepe, aquele Harry Hal...
-
Uma luz colorida baixou. pensei: é hoje! Um sinal, talvez, de que pertenço a um mundo melhor, onde ninguém morre antes da hora, as criança...
-
Eu trago comigo algum consolo, baby, de ter dançado entre vinis riscados enquanto o mundo ardia nas entrelinhas dos jornais. Me ensin...

