O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio - Charles Bukowski


“Outro dia, fiquei pensando no mundo sem mim. Há o mundo continuando a fazer o que faz. E eu não estou lá. Muito estranho. Penso no caminhão do lixo passando e levando o lixo e eu não estou lá. Ou o jornal jogado no jardim e eu não estou lá para pegá-lo. Impossível.
E, pior, algum tempo depois de estar morto, vou ser verdadeiramente descoberto.
E todos aqueles que tinham medo de mim ou que me odiavam enquanto eu estava vivo vão subitamente me aceitar. Minhas palavras vão estar em todos os lugares. Vão se formar clubes e sociedades. Será nojento. Será feito um filme sobre a minha vida. Me farão muito mais corajoso e talentoso do que sou. Muito mais.
Será suficiente para fazer os deuses vomitarem.
A raça humana exagera tudo: seus heróis, seus inimigos, sua importância.”
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Todas aquelas pessoas. O que estão fazendo? O que estão pensando? Todos nós vamos morrer, que circo! 
Só isso deveria fazer com que amássemos uns aos outros, mas não faz. Somos aterrorizados e esmagados pelas trivialidades, somos devorados por nada.”

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Somos feitos de papel. Existimos graças à sorte, no meio de percentagens, temporariamente. E isso é a parte melhor e a parte pior, a questão temporal. E não há nada a fazer. (…) Podemos mudar a nossa aceitação, mas talvez isso também seja errado. Se calhar pensamos demais. É preciso sentir mais, pensar menos.
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“Não há nada mais para se lamentar a respeito da morte do que se lamenta o crescimento de uma flor. O que é terrível não é a morte, mas as vidas que as pessoas vivem ou não vivem até suas mortes. Elas não honram suas próprias vidas, elas mijam em suas próprias vidas. Elas a jogam fora. Idiotas de merda. Se concentram demais em sexo, filmes, dinheiro, família e sexo. Suas mentes estão cheias de algodão. Engolem Deus sem pensar, engolem o país sem pensar. Logo esquecem como se pensa, deixam os outros pensarem por elas. Seus cérebros estão entulhados de algodão. São feias, falam feio, andam feio. Toque as grandes músicas do século para eles e eles não vão ouvir. A maioria das mortes das pessoas é um engano. Não sobrou nada para morrer”.

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