terça-feira, 19 de julho de 2022

Anotações em guardanapos assistindo futebol na TV do bar

 

Ao empinar o copo de cerveja,

o Betão empina junto o dedo mindinho.

Não sabemos se é uma questão de etiqueta, de coordenação

ou se ele está se exibindo pras gurias.

Toda vez que o Cesinha corre pra calçada fumar,

o time faz um gol.

No intervalo, na calçada diante do bar,

se dizemos uma frase de efeito                      

ele canta desafinado uma canção.

A estatística não nos engana:

90% das vezes que o Elson vai pro banheiro mijar,

o time recua as linhas e leva um sufoco do adversário.

O Telmo é multitarefas.

Consegue olhar o jogo na TV,

escutar o jogo de outro time no celular

e ainda servir cerveja pra um bando de malucos barulhentos.

Toda vez que passa um jogo do Grêmio,

o Pedro Byke, numa tranquilidade impaciente,

pergunta se vai passar o jogo do Inter.

Se tem uma coisa que ferve sua adrenalina,

mais do que a performance do Inter

ou uma jogada de craque nos jogos na Afucotri,

é a véspera do resultado do Jogo do Bicho.

Quando o Grêmio está com deficiente poderio ofensivo,

o seu Ivo reclama indignado, do técnico:

"Por que não bota os lebreiros?!"

Como a maioria de nós que está no bar tem muita rodagem,

quando os caras vão a toda hora no banheiro mijar

nos perguntamos se eles têm problema na próstata

ou se é a ceva que é diurética.

O Pedro Borges não debate geometria,

filosofia,

astronomia

ou até metafísica

com tanta desenvoltura no departamento da universidade onde trabalha

como acontece no bar.

E os debates esquentam nos momentos

em que o jogo está mais tenso.

Perguntaram ao João Grandão se o Carleone  

(que tirava um cochilo debruçado na mesa dum cantinho do bar)

tem problemas com álcool, e ele respondeu:

"Claro que não! Só quando falta!".

 

(B. B. Palermo)


Metade lobo, metade homem

Hoje me dei conta de que seu travesseiro repousa junto ao meu, no lado esquerdo da minha cama - e pensei no Lobo da Estepe, aquele Harry Hal...