terça-feira, 31 de março de 2026
Há um buraco no peito
quarta-feira, 25 de março de 2026
Apenas um ponto de ônibus
terça-feira, 24 de março de 2026
O zumbido e o amor
domingo, 15 de março de 2026
Você me ama?
terça-feira, 10 de março de 2026
O Poeta que escutava
Havia um
homem chamado Zé que carregava nos ombros o peso silencioso das estrelas. Não
era comum: enxergava o mundo com olhos de quem já visitou outros planetas e
voltou para contar - não histórias, mas silêncios.
Os
terráqueos o chamavam de poeta, embora ele raramente escrevesse versos. Sua
poesia morava no espaço entre uma pergunta e uma resposta, na curva atenta do
pescoço quando alguém falava.
Numa
noite qualquer, encontrou uma mulher pequena - não de estatura, mas de ânimo.
Ela carregava dentro de si um oceano negro, bebia para afogar baleias
invisíveis.
Zé não
pregou. Não aconselhou. Simplesmente sentou-se ao lado, ofereceu sua bebida e
tornou-se ombro. Tornou-se ouvido.
E naquele
ato humilde - escutar sem esperar sua vez de falar - aconteceu o milagre que
não tem nome religioso: as tristezas da mulher começaram a sair. Primeiro em
gotas, depois em rios, até que o oceano diminuiu.
Foi nesse
momento que a visão me arrebatou. Imaginei: e se todos fizéssemos assim? Se ao
invés de armas, déssemos atenção? Se ao invés de gritar, perguntássemos? Quantas
guerras não seriam evitadas - nos lares, nas mesas de escritório, nas
fronteiras - se apenas nos escutássemos? O diálogo como ponte, a escuta como
terra fértil onde o outro pode plantar seu sofrimento sem medo de ser ceifado.
Sinto-me,
confesso, pequeno diante dessa verdade. Meus ouvidos estão cansados de tanto
barulho inútil. Mas sei que posso fazer algo. Posso ser, como o Zé, aquele que
arranca uma dorzinha que seja da humanidade. E talvez, aos poucos, nos tornemos
virgens novamente - não de corpo, mas de espírito. Inocentes como poetas que
não semeiam versos, mas flores. Que não conquistam territórios, mas cuidam de
jardins. E enquanto o mundo apodrece em seus gritos, nós, silenciosos,
cultivaremos o que há de mais revolucionário: a ternura de quem sabe ouvir.
(Pensamentos & poemas espirituosos)
quarta-feira, 4 de março de 2026
O Cão da triste figura
Na esquina, onde o ônibus cospe seus passageiros, um vira-latas escolheu-me. Não como quem pede - como quem decreta. Seus olhos de soberano disseram: eu divido tua casa, não tua cadeia. E assim entrou Arthur, trazendo nas patas o pó das ruas que chama de lar.
E agora, Palermo?
E agora, Palermo, quando o álbum fecha e a luz da sala fica mais amarela, e o silêncio entre nós dois pesa mais que o tempo todo que levam...
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Eu trago comigo algum consolo, baby, de ter dançado entre vinis riscados enquanto o mundo ardia nas entrelinhas dos jornais. Me ensin...
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O rato Roque roque, roque Rói o queijo roque, roque Rói a cama roque, roque O pé da mesa roque, roque Rói o pão roque, roque O c...
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