Teco, sossega


Em meio ao burburinho das conversas animadas pela sexta-feira após o expediente, observo-a com sua auréola juvenil, com suas tranças sem química, lendo um livro, enquanto garotos e garotas duelam com o tempo, manuseando o celular. Apanho o papel e a caneta que carrego no bolso e escrevo, movido por uma paixão febril:
"Se eu me apresentar todo caloroso, feito múmia aquecida por touca, blusões e cachecol, nesta noite fria, você me abraçaria? Se eu requisitar teu olhar, como quem dá uma flor, como o vira-lata que implora carinho, você investiria um minutinho em mim?"
O esforço patético que faço para maquinar uns versos é interrompido pela voz afetuosa e irônica de Drummond:
"Teco, sossegue, o amor é isso que você está vendo: hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém sabe o que será."

(Tiradas do Teco, o poeta sonhador - Ilustração de Andreia Czyzewski). 

Encontrei no senhor Google


Vendo nosso país navegar nas águas do incerto presente, rumo a um melancólico futuro, busquei algum consolo no grande poeta e cronista Paulo Mendes Campos. 

 “Um choro explica toda a minha vida,/ a que vivi e a que senti, ouvida/ relembra meu futuro entrelaçado/ no Rio presente/ mas passado,/ jarras ansiosas nas janelas/ até que novas flores morem nelas,/ bondes unindo o triste ao paraíso/ de um abraço, de um sorriso,/ tranças que se destrançam por um nada /se um anjo pula corda na calçada/ namorados dançando o ritual/ do fogo na moldura do portal...”

Clipe