Coração selvagem - David Coimbra



Não sei por que não escrevi nada ainda sobre o Belchior, já que ele marcou tanto minha adolescência, com suas belas canções. Para tentar pagar um pouco essa dívida, vai a seguir essa bela crônica do David Coimbra.


Esse senhor de basto bigode que zanzou feito um fantasma por Porto Alegre dias atrás, Belchior, esse senhor estranho é um símbolo. Belchior é uma estátua viva à juventude, à inconformidade, à contestação reflexiva e, também, à imaturidade.
Você pode aprender muito, se conhecer Belchior, se prestar atenção no que ele escreveu e no que ele se transformou. Belchior foi um poeta inexcedível. Repare neste verso:

“Meu bem, guarde uma frase pra mim dentro da sua canção.
Esconda um beijo pra mim sob as dobras do blusão”.

Não é uma bela imagem, o beijo que ela leva escondido nas dobras do blusão?
Em outro poema, Belchior tomou emprestada a verve de Olavo Bilac:

“Ora, direis, ouvir estrelas! Certo perdeste o senso. Eu vos direi, no entanto: enquanto houver espaço, corpo, tempo e algum modo de dizer não, eu canto”.

Bonito.
Mas o importante de Belchior não é a beleza das suas composições. O importante é quando ele confessa que a sua alucinação é suportar o dia a dia. É a alucinação de todos, certo, mas Belchior não está exagerando sobre si mesmo. Em outra canção ele diz a um parceiro:

“Se você vier me perguntar por onde andei
No tempo em que você sonhava,
De olhos abertos lhe direi:
Amigo, eu me desesperava”.

Ele se desesperava com o dia a dia, ele se desesperava ao perceber que a juventude do seu coração era perversa, uma juventude que só entendia o que era cruel, o que era paixão, porque assim é a juventude.
Belchior sabia que a felicidade é uma arma quente, mas isso não lhe serviu de consolo. A fama, o sucesso e o dinheiro não foram suficientes para aplacar a dor existencial de Belchior. Ele não se conformou. Prova-o o seu futuro, que o futuro dele está acontecendo hoje. Prova-o esse ser humano enigmático que vaga pelo sul do continente meio que sem rumo, hospedando-se em hotéis sem ter dinheiro para pagá-los, doce e arredio ao mesmo tempo, parecendo ora aflito, ora sereno, sendo hoje o que foi sempre.
Belchior ficou congelado nos anos 70. Jamais saiu de sua própria juventude e, suponho, jamais sairá. Em uma de suas grandes composições há uma frase que diz tudo sobre ele, uma frase que resume o que é o coração selvagem de quem começa a se conhecer:

“Ainda sou estudante da vida que eu quero dar”.

É isso. Belchior sabia que a vida de uma pessoa é dada a outras pessoas. Mas que vida ele queria dar? Para quem? Essas eram as perguntas que o inquietavam, e que inquietam a quem quer que pense. Olhando para o Belchior pálido de hoje fico pensando se ele, enfim, descobriu as respostas.

* Texto publicado na Zero Hora desta sexta-feira, 30 de novembro.

Pulsantes - Martha Medeiros


Assisti à peça Vermelho, encenada pelo extraordinário Antonio Fagundes e por seu filho Bruno, que conta uma parte da vida do pintor Mark Rothko, expoente do expressionismo abstrato nos anos 50 e 60. O texto é tão bom, que saí do teatro com a cabeça fervendo. 

Vontade de escrever sobre o dilema entre o que é artístico e o que é comercial, sobre as diferentes maneiras de vermos a mesma coisa, sobre a função da arte abstrata (que nunca me comoveu, mas à qual a partir da peça passei a dar outro valor) e sobre a desproteção das obras quando expostas (Mark Rothko era hiperexigente quanto à luz das galerias, assim como quanto à distância que o visitante deveria ficar da tela, e por quanto tempo esse visitante deveria observá-la até ser atingido emocionalmente... enfim, um chato, esse Rothko, mas fascinava). 

No entanto, como não sou conhecedora de pintura, resolvi destacar aqui um outro aspecto da montagem, que diz respeito não só a artistas plásticos, mas a todos os que lidam com criação. Pensando bem, até com os que não lidam. 

Muitos entre nós ainda acreditam que trabalho e prazer são duas coisas distintas que não se misturam. O dia, em tese, é dividido em três terços: oito horas trabalhando, oito horas aproveitando a vida (até parece: e as filas? e o trânsito?) e oito horas dormindo. Cada coisa no seu devido lugar. Apenas os artistas teriam a liberdade de subverter essa ordem. 

Pois o mundo mudou. O trabalho está deixando de ser aquela atividade burocrática e rígida cuja finalidade era ganhar dinheiro e nada mais. Queremos extrair prazer do nosso ofício, seja ele técnico, artístico, formal, informal. O conceito de estabilidade perdeu força, as hierarquias já não impressionam. 

A meta, hoje, é aproveitar as novas tecnologias e as oportunidades que elas oferecem. Atuar de forma mais flexível, autônoma e motivada. Trocar o “chegar lá” pelo “ser feliz agora”. Ou seja, amar o trabalho do mesmo jeito que se ama ir ao cinema, pegar uma praia e sair com os amigos. 

Rothko respirava trabalho, e considerava que estava igualmente trabalhando quando lia Dostoievski, quando filosofava, quando caminhava pelas ruas, quando amava, quando dormia, quando conversava. Defendia a vida como matéria-prima da inspiração, sem regrar-se pelo horário comercial. Não se dava folga – ou folgava o tempo inteiro, depende do ponto de vista. Quando não estava pintando, estava alimentando sua sensibilidade, sem a qual nenhuma pintura existiria. 

Nos anos 50, só mesmo um artista poderia viver essa fusão na prática. Depois que cruzamos o ano 2000, porém, é uma tendência que só cresce, em todas as áreas profissionais, nas que existem e, principalmente, nas que estão sendo inventadas. 

Como pintor, Mark Rothko valeu-se de uma vasta cartela de cores, mas expressou-se magistralmente em vermelho – na verdade, ele viveu em vermelho. Paixão, sangue, vinho, pimenta, calor, sedução. Ele sabia que essa era a cor que pulsava. E segue moderno, pois, como ele, são os pulsantes que estão fazendo a diferença.


Zero Hora, 28/11/2012

Ou eles, ou nós!


Acendi a luz de casa e um vulto me trouxe de volta à superfície da realidade: um pequeno rato (pequeno camundongo seria redundância?) passou a mil pelo corredor, como um Fórmula Um!
A primeira coisa que me veio à cabeça, foi: "Ou ele, ou eu!" E a seguinte imagem se formou em minha mente cansada: "Cuidado, leptospirose!"
Lembrei imediatamente onde guardo o veneno, que não usava já a algum tempo... E é claro que ele comeu todo o alimento granulado... Pobres animais, não têm nenhum poder diante da racionalidade e soberania humanas!
Pobre rato! Pobre? Será? Apenas ele é um coitado diante dos fatos? Pois é, ele morreu pela boca. Aiaiai... Eu, astuto animal racional, elimino o bicho que suponho me faça mal, seduzindo-o com comida envenenada.
Mas, não é o que faço todos os dias, me matar ao me alimentar, seja com fast-food, seja com a farta opção de frutas e hortaliças impregnadas de agrotóxicos?...
Será que toda  a rede de produção/distribuição/consumo de alimentos não pensa assim: "Ou eles, ou nós!"?


***

Ontem a RBS TV mostrou alguns gremistas fazendo uma caminhada desde Uruguiana até POA para a inauguração da Arena, em dezembro. Tudo normal, não fosse a audácia de um torcedor do Inter, de também participar da caminhada. Vi a imagem na TV e levei um alegre susto. O gesto de colocar a amizade acima da rivalidade e paixão, pelo time do coração, só pode ser bem-vinda.
Legal a ideia de não exclusão do rival pois, em vez de se render à seguinte fórmula, "Ou eles, ou nós!", faz valer a outra fórmula: "Eles e nós!".
Pequenos (grandes) acenos como esses nos convidam à reflexão. Permitem pensar sobre o senso comum (hegemônico) da rivalidade, da corneta, etc. Não vamos nos deixar seduzir pelo apartheid, seja cultural, étnico, econômico, ou no futebol.
Figura diferente, a desse colorado! Não ligou para o pensamento de manada, o da unanimidade, que não suporta conviver com quem pensa e age diferente. 

Pulsar

 
No seu pulsar maluco, a cidade me expulsa. 
Só que nesse pulsar do inferno, de pneus rangendo e freios sem governo, eu consigo ver um carinho, no toque dos dedos, no beijo dos apaixonados.
No pulsar do oleo diesel, do caminhão matraqueando, eu sinto meu amor distante pulsar apaixonada, na declaração do torpedo...
Seu amor me tira do sério, um tornado em meu quintal, um gato, um cão abandonado, a indagar sinceridade.
No pulsar que estou vendo, nem tudo são negócios, férias, décimo terceiro... Tudo são ensaios, às vezes de braços cruzados, ou de passos desencontrados.
Na dança bufante do ônibus, no seu ir e vir, a cada fim de noite a brisa vem tudo acalmar. E ganho sem reclamar horas e horas de insônia, para não parar de pensar...
Esse meu coração não escapa do pulsar de rodas, freadas, subidas e decidas pra acelerar...
Vejo-me jogado no meio do jogo. O tudo, o nada, um Deus, um estorvo, uma aposta, um sonho.

Ranzinha

 
A  ranzinha estava ali
falando pelos tubos
rindo de mim nas conexões...
e eu, indeciso como sempre,
sonhado em meus gargalos,
estraçalhando corações...

Aiaiai


Fu-ra-fu-ra-fu-ra-dei-ra
bebê chora uiva cão
minha rua sal-ta-e-gri-ta
sai de perto vem dra-gão!
de algum lugar
a mons-tra-bro-ta
mas ela passa...
e nem-me-no-ta?!
ai-ai-ai...

O que passou, passou? - Paulo Leminski



Antigamente, se morria.
1907, digamos, aquilo sim
é que era morrer.
Morria gente todo dia,
e morria com muito prazer,
já que todo mundo sabia
que o Juízo, afinal, viria
e todo o mundo ia renascer.
Morria-se praticamente de tudo.
De doença, de parto, de tosse.
E ainda se morria de amor,
como se amar morte fosse.
Pra morrer, bastava um susto,
um lenço no vento, um suspiro e pronto,
lá se ia nosso defunto
para a terra dos pés juntos.
Dia de anos, casamento, batizado,
morrer era um tipo de festa,
uma das coisas da vida,
como ser ou não ser convidado.
O escândalo era de praxe.
Mas os danos eram pequenos.
Descansou. Partiu. Deus o tenha.
Sempre alguém tinha uma frase
que deixava aquilo mais ou menos.
Tinha coisas que matavam na certa.
Pepino com leite, vento encanado,
praga de velha e amor mal curado.
Tinha coisas que têm que morrer,
tinha coisas que têm que matar.
A honra, a terra e o sangue
mandou muita gente praquele lugar.
Que mais podia um velho fazer,
nos idos de 1916,
a não ser pegar pneumonia,
e virar fotografia?
Ningém vivia pra sempre.
Afinal, a vida é um upa.
Não deu pra ir mais além.
Quem mandou não ser devoto
de Santo Inácio de Acapulco,
Menino Jesus de Praga?
O diabo anda solto.
Aqui se faz, aqui se paga.
Almoçou e fez a barba,
tomou banho e foi no vento.
Agora, vamos ao testamento.
Hoje, a morte está difícil.
Tem recursos, tem asilos, tem remédios.
Agora, a morte tem limites.
E, em caso de necessidade,
a ciência da eternidade
inventou a crônica.
Hoje, sim, pessoal, a vida é crônica.

Feira do livro de Ijuí e Cidadania


Programete Papo cidadão 05/11/2012- Américo Piovesan


http://www.cidadaniaparatodos.com/publicacao-430-Programete_Papo_cidadao_05_11_2012-_Americo_Piovesan.fire

Espaço Literário - E. M. F. Tomé de Souza


Neste ano o Espaço Literário contou também com a presença do professor Américo Piovesan, escritor e patrono da Feira do Livro.


A Escola Municipal fundamental Tomé de Souza, realizou no dia 1؟ de novembro o 3º Espaço Literário que é um momento de encontro com a literatura, o qual tem como objetivo incentivar os alunos à leitura.
A culminância deste evento aconteceu através da apresentação e sistematização de algumas leituras realizadas durante o ano letivo com alunos de Pré a 8ª série.
Houve grande envolvimento tanto dos professores quanto dos alunos que enceram histórias, poesias e músicas.
Neste ano o Espaço Literário contou também com a presença do professor Américo Piovesan, escritor e patrono da Feira do Livro.
O escritor contou histórias e recitou poesias aos alunos do quinto a oitava série, em sua fala destacando sempre a importância da Leitura.
http://www.ijui.com/noticias/educacao/41772-escola-tome-de-souza-realiza-3o-espaco-literario

Ninguém sabe o que é um poema - Ricardo Azevedo





Ninguém sabe o que é um poema
Se é solução ou problema
Se pretende ser um lema
Se imita o canto da ema

Ninguém sabe o que é um poema
Se vira e mexe é esquema
Se finge ou tem um dilema
Se às vezes vai so cinema

Ninguém sabe o que é um poema
Se morde, xinga e blasfema
Se é perfume de alfazema
Se gosta de teorema

Ninguém sabe o que é um poema
Se é a seca em Borborema
Se é a praia em Ipanema
Se é a fome em Diadema

Ninguém sabe o que é um poema
Se mata como enfisema
Se prende feito uma algema
Ou se é medida extrema

Ninguém sabe o que é um poema
Se é só palavra sem tema
Se é uma arte suprema
Ou se é mero estratagema.

Participações especiais - Bah! Produção Cultural




Como toda entidade cultural que se preze, nós da Bah! Produção Cultural não podíamos ficar de fora da 23ª Feira do Livro Infantil do SESC e 20º Feira do Livro de Ijuí.
Como meta de nossa entidade, queremos participar ativamente dos eventos culturais do município, ora divulgando, ora trabalhando de forma efetiva. 
E nesta edição da feira, iniciamos nossos trabalhos com a cobertura do lançamento dos livros dos autores Américo Piovesan, Dieison Groff, Lucênio Arno Schultz e Geraldo C. Coelho e também com a participação especial do músico e professor de Educação Musical da Escola IMEAB, Jair Gonçalves, grande colaborador e um dos fundadores do projeto Bah! Produção Cultural.
Com excelência em seu trabalho como músico, Jair nos brindou com grandes clássicos da música brasileira e músicas nativistas, demonstrando todo o seu talento ao público presente.
Outra participação do músico foi o acompanhamento musical na declamação dos poemas do autor Américo Piovesan.

Sossego


Desde que roubei seu beijo
nunca mais ganhei sossego!

Rebelde sem causa - Ultraje a rigor



Meus dois pais me tratam muito bem
(O que é que você tem que não fala com ninguém?)
Meus dois pais me dão muito carinho
(Então porque você se sente sempre tão sozinho?)
Meus dois pais me compreendem totalmente
(Como é que cê se sente, desabafa aqui com a gente!)
Meus dois pais me dão apoio moral
(Não dá pra ser legal, só pode ficar mal!)
MAMA MAMA MAMA MAMA
(PAPA PAPA PAPA PAPA)
Minha mãe até me deu essa guitarra
Ela acha bom que o filho caia na farra
E o meu carro foi meu pai que me deu
Filho homem tem que ter um carro seu
Fazem questão que eu só ande produzido
Se orgulham de ver o filhinho tão bonito
Me dão dinheiro prá eu gastar com a mulherada
Eu realmente não preciso mais de nada
Meus pais não querem
Que eu fique legal
Meus pais não querem
Que eu seja um cara normal
Não vai dar, assim não vai dar
Como é que eu vou crescer sem ter com quem me revoltar
Não vai dar, assim não vai dar
Pra eu amadurecer sem ter com quem me rebelar

Entrevista com o patrono da feira do livro


Entrevista com patrono da 23ª Feira do Livro Infantil do Sesc e 20ª Feira do Livro de Ijuí - Américo Piovesan

Com grande repercussão e participação de excelente público até o momento, a 23ª Feira do Livro Infantil do Sesc e 20ª Feira do Livro de Ijuí tem atraído escritores de várias partes do estado e também "prata da casa". Hoje foi o lançamento de livros de autores iniciantes e também já consagrados no meio cultural: Américo Piovesan, Geraldo C. Coelho, Dieison Groff e Luceno Arno Schultz.
Com 04 publicações direcionadas ao público infanto-juvenil, o patrono da feira do livro deste ano Américo Piovesan destaca a importância do incentivo à leitura nas escolas e a participação ativa de professores no processo de alfabetização através da leitura e contação de histórias.
Em entrevista à Bah! Produção Cultural, Américo Piovesan relata sua trajetória cultural dentro do município:

1 - Como você conseguiu atingir o público infanto-juvenil, nesta realidade em que vivemos, tendo a internet e também outras formas de distração, onde a leitura seria considerada a última opção na lista das crianças e pré-adolescentes?

Esta pergunta é bem ampla. Eu tento me aproximar das crianças e dos adolescentes não só escrevendo os livros mas também contando histórias, porque tem um projeto na escola IMEAB, onde conto histórias para as crianças, para o ensino fundamental e médio, e contando histórias a gente consegue aproxima-las um pouco mais dos livros e da leitura. O fato de contar histórias aproxima eles dos autores, falamos dos novos, falamos de outros autores. É uma atividade que faz parte, toda a semana a gente faz isso. A gente indo nas escolas, formamos um hábito, as preferências, os gostos... enfim, formando os hábitos  vinculados nas pessoas, dando exemplos para os pais lerem em casa, incentivando seus filhos, fazendo com que seus filhos não deixem os livros em segundo plano, não dando espaço a internet e facebook.


2 - Quais as dificuldades encontradas para um escritor "de cidade pequena", onde há pouca base cultural? E de que forma conseguiu chegar ao 4º livro publicado?

Com muito esforço. Eu tenho o privilégio de contar com um grupo de amigos que tem uma formação cultural acessível, eles percebem a importância de incentivar o que a gente faz: formar leitores. Escrever, não só para dizer:"Publiquei um livro"... mas fazer com que este livro chegue nas escolas, digo no sentido que, o livro vai chegar e vai ser mais lido e vai haver mais interesse pra ler ele e ter fã lá também. Ai que eu entro como contador de histórias e de poemas, tentando me aproximar de uma linguagem mais lúdica para ser mais acessível, no sentido que a gente quer aproximar mais da música e da poesia.

3 - Quando surgiu este desejo de escrever histórias? E se há interesse de atingir ao público adulto com futuras publicações?

Pois é, já escrevo há cerca de 5 anos, tive uma experiência por mais de 15 anos como professor universitário, onde minhas aventuras quase todas eram voltadas à questão da filosofia, mais acadêmicas, mas eu tenho assim como hábito ler muito, tive incentivo na escola, escrevia poemas... sempre escrevi poemas na adolescência, depois, também, eu publicava, de vez em quando, em jornais.
Então, o desejo estava meio que latente já. E quando chegamos na cidade, tive tempo de parar pra pensar no que fazer no futuro. Também me tornei pai, e tendo uma criança em casa, de certa forma, e não apenas isso, mas me ajudou muito a me interessar em escrever para crianças. Meus livros não são apenas para as crianças, são para todos os públicos. A maior dificuldade é pensar que o personagem Teco é uma criança, porque o autor tenta se colocar na posição de uma criança, tenta imaginar, enfim. No fundo, não existe essa separação de público infantil, infanto-juvenil, juvenil e do adulto, é difícil fazer esta separação. A literatura é para todos. E é claro dentro da faixa etária das crianças devemos fazer uma separação. Porque teve hoje a tarde aqui na feira, uma peça de teatro baseada na obra de Simões Lopes Neto, onde não deu muito certo, não é que não deu certo, mas onde que o público era infantil e não compreendia a linguagem, onde era uma linguagem mais gauchesca, de 100 anos quase. Então, tem que tomar cuidado com isso, é claro. Mas de modo geral, a gente não fica pensando: "Bom, vou escrever agora para crianças de 5 e 6 anos, 7, 8 e 9"...


4 - Com sua visão e conhecimento cultural adquirido como escritor, como você vê o apoio cultural dentro de Ijuí?

A gente percebe alguns avanços, por outro lado, muito tarde para comemorar. Mas sou um cara otimista, tenho esperança que alguns projetos sejam colocados em prática, como um centro cultural, estas coisas... Acho que falta é uma democracia aqui, um espaço como este aqui da praça, por exemplo, um espaço mais permanente para que todo mundo possa assistir um teatro, possa ver shows, que não seja muito elitizado. Enfim, infelizmente não temos cinema, mas tem melhorado muito espero que possa melhorar cada vez mais. É o que todos nós queremos. 

5 - Como foi para você receber o convite, ou se foi uma surpresa, de ser patrono desta edição da feira do livro?

Foi uma surpresa sim, e foi uma boa surpresa. Fiquei bastante surpreso e aos poucos fui tentando assimilar o que é ser um patrono, pois eu nunca havia sido. Sempre tem a primeira vez... daqui há alguns dias fui pensar nesta experiência. Está sendo muito gratificante,  estou bastante cansado, mas é um cansaço muito bom. Depois de um dia assim, você está entre as pessoas, dos livros, de eventos culturais. É uma ótima surpresa e espero estar a altura, e me sinto cada vez mais responsável em cumprir o meu papel de incentivador da cultura e da escrita com as crianças.


Entrevista  realizada por Egmar Ribeiro
no dia 09 de Novembro de 2012 
durante lançamento do 4º livro do autor: 
Teco, o poeta sonhador - "Canções do Despertar"



Escola Dr. Ruy Ramos realiza encontros alusivos ao “Dia do Livro”



Com o objetivo de incentivar o aluno à leitura, a Escola Municipal Fundamental Dr.Ruy Ramos, realizou encontro alusivo ao “Dia do Livro” com a participação do professor, escritor e patrono da 23ª Feira do Livro Infantil do Sesc e a 20ª Feira do Livro de Ijuí, Americo Piovesan. No encontro o escritor contou histórias aos alunos do 1º ano até a 8ª série do ensino fundamental e enfatizou a importância da leitura. 

Lady Gaga


Biquini bronzeado
Lady Gaga de saia
o binóculo dos meus olhos
é salva-vidas na praia!

Patrono da feira do livro realiza contação de histórias




O patrono da 23ª Feira do Livro Infantil do Sesc e 20ª Feira do Livro de Ijuí, professor da rede municipal Américo Piovesan, realizou na manhã desta quinta-feira, 8, contação de histórias no espaço da Secretaria Municipal de Educação (Smed), na Praça da República.  
Atualmente o professor Américo Piovesan dedica 20 horas semanais de contação de histórias no Instituto Municipal de Ensino Assis Brasil (Imeab), escola em que leciona desde 2007, mesmo ano em que começou a sua trajetória de escritor de livros infanto-juvenis,  principalmete com personagem Teco, o poeta sonhador. O patrono tem três livros publicados: Os mistérios do porão, Segredos do coração, Canções pra não dormir. Estes livros estão sendo comercializados na a Feira do Livro.

http://www.ijui.rs.gov.br/noticia/index/20309

Escritores lançam livros na feira




Os escritores Américo Piovesan, Dieison Groff, Lucênio Arno Schultz e Geraldo C. Coelho lançaram seus livros na noite desta sexta-feira, 9, dentro das programações da 23ª Feira do Livro Infantil do Sesc e 20ª Feira do Livro de Ijuí que acontece na Praça da República.
O lançamento também contou com a participação de Jair Gonçalves, professor de música da rede municipal, que cantou algumas músicas para o público.
Durante o lançamento, Dieison Groff disse que estudou em uma escola que não tinha biblioteca, mas que a educação ajudou a salvá-lo e por isso é preciso dar mais valor à educação.
Em seu livro “A loira do banheiro”, Dieison reescreve a famosa lenda urbana de uma forma moderna e tendo como tema central o bullying. “Precisamos lutar contra o bullying e a leitura pode ser uma ferramenta”, disse o autor.
Lançando o livro “Como superar a depressão”, Lucênio Arno Schultz declarou que o livro foi escrito para ele. “Vivi com a depressão e meus familiares não sabiam”, disse. “A depressão se esconde atrás de máscaras”.
Lucênio contou que em seu livro há dicas reunidas através de experiências de sua vida. O livro reúne dicas que usam técnicas alternativas e complementares, além de dicas como respiração, florais, e risoterapia.
O escritor Geraldo C. Coelho lançou o livro “Sistema Agroflorestais” onde tenta responder se é viável plantar árvores com outras culturas.
Durante o lançamento, Geraldo contou que a experiência começou na fronteira com o Uruguai, no município de Mauricio Cardoso, onde se observou uma das maiores experiências com mata ciliar, ao misturar plantações de mandioca e abóbora com a vegetação do lugar que deu um resultado positivo. A partir de então, as pesquisas se intensificaram e a literatura foi reunida no livro.
O patrono das feiras desse ano, Américo Piovesan lançou o quarto livro com o personagem Teco, o poeta sonhador. Intitulado “Canções do despertar”, o livro reúne diversos poemas, mostrando um Teco que está despertando para a adolescência.
Na ocasião, Américo destacou que o autor precisa ir à escola e estar perto de seus leitores. Disse ainda que as escolas precisam notar a importância do escritor na escola de forma a ajudar na formação de novos leitores. Ele também agradeceu a todos que o apoiaram no projeto .
Logo após, o patrono declamou alguns poemas encontrados no livro “Canções para despertar”.
Uma sessão de autógrafos foi realizada ao fim do lançamento.

veja as fotos do evento no site
http://www.ijui.com/entretenimento/cultura/41682-escritores-lancam-livros-na-feira-do-livro-de-ijui

Abertura da feira do livro de Ijuí/RS




Na noite desta terça-feira, 06, aconteceu a abertura da 23ª Feira do Livro Infantil do Sesc e a 20ª Feira do Livro de Ijuí no Anfiteatro da Praça da República.
Durante a abertura, o secretário de Educação, Eleandro Lizot destacou que a feira é um incentivo aos leitores e escritores e que ela é um dos principais eventos culturais de Ijuí.
Lizot também apresentou a programação da Feira do Livro, que teve sua programação iniciada com a presença do jornalista e cartunista Iotti, criador do Radicci. Ainda nesta terça-feira terá o lançamento das publicações da Secretaria de Educação, como o livro com os quadrinhos ganhadores dos concursos e redações.
O secretário ainda falou sobre a escolha do tema da próxima edição da Feira do Livro onde o público pode votar em três temas durante o evento no estande da Secretaria de Educação.
O patrono das feiras, Américo Piovesan, destacou que ainda não damos valor ao livro como damos para um tablet ou uma roupa de marca. Disse ainda que na companhia de livros não estamos sozinhos e que realizamos encontros não somente com histórias, mas também consigo próprio.

Veja mais sobre a feira no site

Talentos locais em "Canções do despertar"




Era uma vez uma época em que o clima literário tomava conta: Dia Nacional do Livro, feiras de leitura na capital dos gaúchos, feira do livro em Ijuí. É no embalo desses fatos reais que vamos apresentar a vocês, neste post, uma produção poética bem local, um mergulho nos mares intrínsecos dos versos e das rimas.
Estamos falando do livro do escritor Américo Piovesan, que será lançado na 20ª Feira do Livro de Ijuí,  realizada entre nos dias 6 e 11 de novembro. A obra reúne diversos textos poéticos de Américo e ilustrações produzidas pelo aluno do curso de Design da Unijuí, Guilherme Barrozo.

“Em Canções do despertar, Teco, o poeta sonhador, sai do sonho pra fazer acontecer. Com o “pito” do trem, o poeta é um pé nas nuvens e outro no chão, que desperta, perde a bússola e sai de si em busca do outro – a arte, a música, a cidade, a criticidade, o amor e a liberdade. O tempo passa voando e Teco, embora mais intimista, não é só timidez. Cigarra, incendeia de saudade dos velhos soldados, que marcham na estante. Esperto, divide espaço e tempo com a raposa. Policial, fica triste com a tristeza do mundo, mas sonha roubar uma flor para o primeiro amor. Super-homem, mergulha de cabeça na poesia, lavra onde nada se perde e nada se cria, e tudo vira outras histórias, outras palavras, outras fantasias. Desperto, descobre-se gato escaldado e carente, como tudo o que é gente, e rói as unhas por ver a mãe se escabelar de botar medo. Com um “Oi” cigano de ferver as veias, quer liberdade para levar a amada ao céu e para ela cantar, lá no alto, mil canções de amor. Um amor. Se eu fosse você, entrava logo nessa história. De canetas-tinteiro e lápis na mão, e uma frase tirada do fundo do coração”.

Guilherme conta que, ao todo, foram desenvolvidas 19 ilustrações. Mas não é a primeira vez que ele participa desse tipo de trabalho. No ano passado, colaborou com as imagens do livro ” Teco o poeta sonhador em: Canções Pra Não Dormir”, também de Américo Piovesan. Para ele, o processo de construção das ilustrações foi divertido e ao mesmo tempo trabalhoso, “Fiquei muito feliz com a possibilidade de ter mais um título publicado, pois sempre gostei de desenhar e não há nada melhor do que trabalhar fazendo o que se gosta”, diz Guilherme.
A equipe da Usina de Ideias também conversou com Américo Piovesan,  patrono da Feira do Livro de Ijuí e escritor, que conta um pouco mais sobre o mundo de TECO, O POETA SONHADOR.

Como foi o processo de criação do livro?

O livro “Teco, o poeta sonhador, em: canções do despertar!” é o quarto de histórias e poemas do personagem TECO. Neste livro estão reunidos poemas que tratam de diversos temas, sendo o personagem alguém que se auto-nomeia poeta, disposto a escrever sobre todas aquelas coisas que despertam sua curiosidade e imaginação. O livro tem poemas que foram antes publicados no blog www.tecopoetasonhador.blogspot.com, e que foram sendo, aos poucos, reescritos, retrabalhados, até que uma parte deles foi selecionada para a edição do livro. A novidade neste quarto livro, com o personagem TECO, é de que ele ensaia alguns versos no terreno das paixões – próprias das fases que os jovens passam, que é a pré-adolescência e a adolescência. Mas há também temas do cotidiano, como a fome, a violência, os conflitos com os pais e também poemas em que há a relação do poeta com os bichos.

De que forma surgiu a ideia de usar a poesia como linguagem para levar o mundo de Teco para as crianças?

A ideia de montar os livros surgiu juntamente com a entrada em cena do personagem TECO, O POETA SONHADOR. Todos os escritos, sejam histórias ou poemas, têm o menino poeta em perspectiva. Nosso objetivo, com isso, é de nos aproximarmos do universo das crianças, jovens e adultos, no sentido de mostrar como a leitura e a escrita são fundamentais para nossa vida. E de que a poesia está presente no cotidiano, basta olhar de diferentes perspectivas, com imaginação, fantasia, com curiosidade e que, ao fazer isso, teremos ampliada também nossa criatividade.

Para as crianças as imagens são fundamentais. Como é a ligação entre as ilustrações e os poemas no livro?

O livro se constitui na escrita e nas imagens (ilustrações), feitas pelo Guilherme Barrozo. Essa união entre a palavra e a imagem é que dá um sentido mais amplo, enriquecendo as narrativas de cada poema. Sabemos que as imagens, cada vez mais, são imprescindíveis para aproximar os jovens leitores dos livros e a leitura. São 34 páginas à espera dos leitores, e pretendem servir de porta de entrada para criarmos novas histórias e novos poemas.
O escritor também deixou o seu convite para a feira do livro: “Aguardamos a presença de todos na Feira do Livro de Ijuí, que vai do dia 06 ao dia 11 de novembro, na Praça da República. O lançamento do livro “Teco, o poeta sonhador, em: canções do despertar!” será na sexta-feira, dia 09 de novembro, às 18h30 também na Praça da República. Todos estão convidados”.

(Notícia publicada no site Usina de ideias, do curso de Comunicaação Social da UNIJUI.

http://usinacomunica.wordpress.com/

Gostinho



Senti o gosto da vida
depois do seu doce nocaute:
deu-me uma maça
dei-lhe um chocolate.
Ah, deliciosa vida
ganhei seu beijo
feito de maça 
mordida!

Down


O dia estava esquisito:
fiquei meio down
pisando na brita das pedras.

Down, flutuei sobre as nuvens
num guarda-chuva
pára-quedas.

Quando chorar - Clarice Lispector

Há um tipo de choro bom e há outro ruim. O ruim é aquele em que as lágrimas correm sem parar e, no entanto, não dão alívio. Só esgotam e exaurem. Uma amiga perguntou-me, então, se não seria esse choro como o de uma criança com a angústia da fome. Era. Quando se está perto desse tipo de choro, é melhor procurar conter-se: não vai adiantar. É melhor tentar fazer-se de forte, e enfrentar. É difícil, mas ainda menos do que ir-se tornando exangue a ponto de empalidecer.
Mas nem sempre é necessário tornar-se forte. Temos que respeitar a nossa fraqueza. Então, são lágrimas suaves, de uma tristeza legítima à qual temos direito. Elas correm devagar e quando passam pelos lábios sente-se aquele gosto salgado, límpido, produto de nossa dor mais profunda.
Homem chorar comove. Ele, o lutador, reconheceu sua luta às vezes inútil. Respeito muito o homem que chora. Eu já vi homem chorar.

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