quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
Desapega, menino
terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
Sapo com H
Príncipes e princesas
acasalam,
bebem,
brigam,
gozam,
engravidam,
divorciam.
Eu ainda me sinto um sapo,
boiando em dilemas,
e às vezes me escondo por dias
num retiro improvisado:
celular desligado,
antenas plugadas no silêncio,
na penumbra, no mistério.
Não tenho medo
dos vossos olhares espertos.
Tenho a coragem que juram
que não tenho.
Príncipes e princesas
sonham,
desejam,
gritam pro mundo
seus amores felizes
e escondem os amores
contrariados.
Sapo, sei bem:
os amores mais doloridos
são os que empurram
o universo.
(B. B. Palermo)
quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
Amor, me adote!
terça-feira, 27 de janeiro de 2026
Meu tristinho Don Juan
Não tenha medo de amar, garoto,
vai - seja furacão, abrace, coma, espanque
essas ninfas errantes,
infelizes como você,
sempre à procura
de outro, e mais outro,
um cara dos sonhos.
Vai, Don Juan,
tua Sharon Stone te espera
num silêncio malicioso
pra dançar com tuas fantasias
impublicáveis.
Todos sabem dos teus discursos
do crepúsculo ao frescor da manhã.
acelere tua motona, corra atrás
de façanhas sentimentais,
solte o freio do coração.
Dizem que o amor vive da falta,
que todo Don Juan sossega
quando faz o bem.
Mas você insiste em ser canalha,
um chinelo errante,
mesmo citando santos,
tipo Agostinho, que um dia disse
que viemos pra melhorar o mundo.
Juan, você quer dinheiro,
pagar (e pegar) todos os amores
e depois jogá-los fora.
Do que você foge?
O que você procura?
Pergunte à mamãe, ao pastor,
ao Buda, ao psiquiatra
e à terapeuta lindinha.
Sei o que todos vão dizer:
- Você é incorrigível,
e tudo isso não deixa de ser
um mistério.
(B. B. Palermo)
domingo, 18 de janeiro de 2026
As vozes do cachorrinho e da madame eram iguais
sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
Amar não é como comprar uma geladeira
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
A última saideira
sábado, 3 de janeiro de 2026
Que o amor seja eterno enquanto duro
terça-feira, 23 de dezembro de 2025
Roncando no sofá às 3 da manhã
quarta-feira, 17 de dezembro de 2025
Ainda não éramos zumbis
Rapaz, lembra que em 1996 você comprou um 3 em 1
e começou a se interessar por blues,
ouvia CDs do Eric Clapton
e sentia que aquelas músicas
despertavam uma melancolia,
uma angústia boa.
Você não havia casado, nunca fora pai,
nem rabiscara um poema
pra algum hipotético filho
nascido de transas casuais
sem uso de preservativo.
O 3 em 1 rodava Clapton, Santana, Celso Blues Boy
e tantos outros,
e você amava ouvir aquilo
enquanto uma tristeza,
de um jeito estranho,
te ofertava mais e mais vida.
Décadas depois você se sente encurralado,
ou se retrai,
como o atleta que envelhece,
abandona os músculos
e passa a precisar de ajuda
até pra sentar no vaso
e puxar a descarga.
Hoje você pisa fundo no pessimismo
e convence a si e aos outros
de que tudo está perdido,
ainda mais quando alguns bostas perguntam:
“A arte vale mais do que a vida,
mais do que a comida,
mais do que a justiça?”.
Caralho,
como se uma coisa excluísse a outra.
Carros passam.
Pessoas passam.
“Essa vida é inútil, Palermão”.
Criaturas barulhentas,
olhares faiscando como fuzis.
Tudo são quedas-d’água
raivosas
correndo dentro da gente.
Existe algo que nos arrebate
e nos faça ir além
do obscurantismo,
do ódio,
das intrigas
e dos planos frustrados pro amanhã?
Existe, sim.
Mas não vem em forma de luz,
nem de manifesto,
nem de guru com dente branco.
Vem quando, por cinco minutos,
o mundo cala
e um blues antigo escapa
de um rádio ruim,
ou de um 3 em 1 imaginário.
Vem quando você percebe
que ainda sente alguma coisa,
mesmo cansado,
mesmo puto,
mesmo repetindo
que tudo acabou.
Não salva o mundo.
Não paga as contas.
Não ressuscita o garoto de 96.
Mas impede o zumbi.
E, convenhamos,
num planeta de mortos ambulantes,
isso já é quase um milagre.
(B.
B. Palermo)
sábado, 13 de dezembro de 2025
Um velho cão também precisa de cuidados
Desapega, menino
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