quarta-feira, 25 de março de 2026
Apenas um ponto de ônibus
terça-feira, 24 de março de 2026
O zumbido e o amor
domingo, 15 de março de 2026
Você me ama?
terça-feira, 10 de março de 2026
O Poeta que escutava
Havia um
homem chamado Zé que carregava nos ombros o peso silencioso das estrelas. Não
era comum: enxergava o mundo com olhos de quem já visitou outros planetas e
voltou para contar - não histórias, mas silêncios.
Os
terráqueos o chamavam de poeta, embora ele raramente escrevesse versos. Sua
poesia morava no espaço entre uma pergunta e uma resposta, na curva atenta do
pescoço quando alguém falava.
Numa
noite qualquer, encontrou uma mulher pequena - não de estatura, mas de ânimo.
Ela carregava dentro de si um oceano negro, bebia para afogar baleias
invisíveis.
Zé não
pregou. Não aconselhou. Simplesmente sentou-se ao lado, ofereceu sua bebida e
tornou-se ombro. Tornou-se ouvido.
E naquele
ato humilde - escutar sem esperar sua vez de falar - aconteceu o milagre que
não tem nome religioso: as tristezas da mulher começaram a sair. Primeiro em
gotas, depois em rios, até que o oceano diminuiu.
Foi nesse
momento que a visão me arrebatou. Imaginei: e se todos fizéssemos assim? Se ao
invés de armas, déssemos atenção? Se ao invés de gritar, perguntássemos? Quantas
guerras não seriam evitadas - nos lares, nas mesas de escritório, nas
fronteiras - se apenas nos escutássemos? O diálogo como ponte, a escuta como
terra fértil onde o outro pode plantar seu sofrimento sem medo de ser ceifado.
Sinto-me,
confesso, pequeno diante dessa verdade. Meus ouvidos estão cansados de tanto
barulho inútil. Mas sei que posso fazer algo. Posso ser, como o Zé, aquele que
arranca uma dorzinha que seja da humanidade. E talvez, aos poucos, nos tornemos
virgens novamente - não de corpo, mas de espírito. Inocentes como poetas que
não semeiam versos, mas flores. Que não conquistam territórios, mas cuidam de
jardins. E enquanto o mundo apodrece em seus gritos, nós, silenciosos,
cultivaremos o que há de mais revolucionário: a ternura de quem sabe ouvir.
(Pensamentos & poemas espirituosos)
quarta-feira, 4 de março de 2026
O Cão da triste figura
Na esquina, onde o ônibus cospe seus passageiros, um vira-latas escolheu-me. Não como quem pede - como quem decreta. Seus olhos de soberano disseram: eu divido tua casa, não tua cadeia. E assim entrou Arthur, trazendo nas patas o pó das ruas que chama de lar.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
Doutor Ranço
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Cachorrona
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026
Adorável
Flocos de aveia
e uma chuva de pedras
derretem meu cérebro,
litros de gasolina
psicótica
incendeiam
meu sexo.
Meu lar é governado
por gatos alienígenas
que galopam
montados em seus cavalos
no quintal.
Eu levo uma vida um tanto
adorável
basta ela vir toda lindinha
num entardecer chuvoso
depois da academia.
Aí eu salto poças d’água
pelas ruas indefesas
como quem ganhou
na loteria.
Tudo seria perfeito
e motivo de euforia
se ela acordasse em minha cama
e me amasse como a primeira vez
antes do meio dia.
(B. B. Palermo)
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
Desapega, menino
terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
Sapo com H
Príncipes e princesas
acasalam,
bebem,
brigam,
gozam,
engravidam,
divorciam.
Eu ainda me sinto um sapo,
boiando em dilemas,
e às vezes me escondo por dias
num retiro improvisado:
celular desligado,
antenas plugadas no silêncio,
na penumbra, no mistério.
Não tenho medo
dos vossos olhares espertos.
Tenho a coragem que juram
que não tenho.
Príncipes e princesas
sonham,
desejam,
gritam pro mundo
seus amores felizes
e escondem os amores
contrariados.
Sapo, sei bem:
os amores mais doloridos
são os que empurram
o universo.
(B. B. Palermo)
quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
Amor, me adote!
Apenas um ponto de ônibus
Desenvoltura de bailarina, cabelos curtos num tom que rimou com os olhos, sem querer. Dança desde que o mundo é pequeno, fotografa o que v...
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Eu trago comigo algum consolo, baby, de ter dançado entre vinis riscados enquanto o mundo ardia nas entrelinhas dos jornais. Me ensin...
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O rato Roque roque, roque Rói o queijo roque, roque Rói a cama roque, roque O pé da mesa roque, roque Rói o pão roque, roque O c...
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