Tem dias que me dá na veneta, sinto o mundo todo errado,
fico louco pra consertá-lo mas não sei como.
Aí, sobra pro meu amor.
Reclamo que ela abraça mil tarefas e não me enxerga e se afasta,
e logo me transformo num poço de carência.
Uma “entidade” sacana buzina em meu ouvido:
- Volta a ser solteiro! Vida de casado é isso, Cadelão,
muito custo e pouco benefício!
O filho da mãe dá as caras também quando estamos numa roda de amigos,
reunião ou festa.
- Cadelão, como tu suporta essas conversas?
Tu podia fazer coisas mais interessantes nessa hora.
Corre pra casa! Abre uma cerveja, retome aquela leitura,
escreva algo que preste!
O jaguara me pega de jeito e não me resta senão correr pro bar,
e disso resulta uma ressaca das brabas.
Me vi pensando esses dias...
Sinto tédio quando uso como desculpa esse fato de receber a influência da “entidade”,
que se diverte em me “noiar”.
Esse papo dizendo que há alguma coisa (que não sou eu)
me põe pra baixo, com mais tédio ainda.
No fundo, sei que é o desejo de “dobrar” ou “domar” o meu amor,
submetê-la aos meus caprichos – o louco desejo do macho
que não quer se encantar e “obedecer” ao olhar e à voz de uma deusa alfa.
Fiquei chocado quando vi no dicionário o significado pra “ranço”:
sujeito desagradável, chato, antipático.
Discordo da visão da IA. Que se danem!
O amor de minha vida dá um tempo, espera a fervura baixar,
depois de desligar a panela de pressão.
Sábia, ela reflete:
- O rançoso pensou bastante, já posso chegar perto dele
e dar o bote: baixar a chinela no seu lombo!
E é assim que a querosene de nossa paixão muda as cores do dia:
- Já te disse, doutor Ranço, tu é meu, e não tem volta!
Beijos, abraços, uma tarde de chuva e de folga e
o fogo de nossa paixão triplica, amor e sexo
transpiram pelos ares, meu coraçãozinho
a 160 por hora.
(B. B. Palermo)
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