segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Cachorrona


 

Quem me conhece, sabe que não sirvo de modelo.
Aos 20 e poucos anos disse pra uma garotinha, por quem me apaixonei,
que fora convidado pra ser modelo.
Viram em mim (hehehe) um olhar singular
e um porte atlético que indicava personalidade forte...
O papinho funcionou por umas 2 semanas,
depois a guria sacou que eu era só mais um,
propaganda enganosa.
Li “Dona flor e seus dois maridos”, do Jorge Amado,
no finalzinho da adolescência, e fiquei impressionado
com o personagem Vadinho, um boêmio e conquistador incorrigível.
Por essas e outras influências, corri atrás de muitas garotas,
e boa parte delas “de programa”, e muitas vezes sem tomar
as devidas precauções com relação às DSTs.
Mas surgem oportunidades pra se amadurecer
e cá estou, meio aos trancos, me esforçando pra amar
com mais plenitude e menos medo.
Vestir-se de mulher pra brincar neste carnaval?
Ora bolas...
Pensando bem, pra quem encarou teste de HIV,
depois de muitos anos se ca**ndo de medo -
por conta duma vida amorosa confusa que teve - isso é fichinha.
Ainda mais no carnaval do A. Texas, onde a alegria e a brincadeira
empurram pra longe qualquer preconceito.
E tem mais: não pude dizer não ao pedido do meu bem:
- Dessa vez tu não escapa... É o nosso primeiro carnaval
e eu amo esta praia desde a infância! Tu vai comigo
vestido de cachorrona!
(B. B. Palermo)

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