sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Cadelão, o fiadaputa

Dia desses, de madrugada,
o mar veio até uns 50 metros do meu AP.
Poucos ligaram mas, dessa vez,
senti a ousadia da sua ressaca.
Havia ali uma linguagem própria,
embora eu não faça ideia
do que se passa na cabeça dum oceano,
se é o aquecimento global
ou só mais um capricho mar-oto.
Tentei conversar com os texanos.
- Tu vem falar de mar e poesia, Cadelão?
Desce do pedestal!
Te liga nas histórias dessa gente,
larga de ser imbecil!
O senhor, vestido bem demais pra um bebedor
de uísque vagabundo num boteco meia boca,
abriu o celular e mostrou:
feridas nos pés, barriga e rosto,
o corpo ocupado por chagas
como um território inimigo.
Sim, superou tal fase, que poderia chamar de terminal
ou estado de putrefação, quando a alma,
meio podre, envia sinais para o corpo.
Suguei meio copo de ceva,
mas a náusea veio como tsunami.
Corri pro banheiro.
E lá, entre azulejos rachados e meu vômito amargo,
ouvi ao fundo um eco zombeteiro:
- Esse Cadelão é um fiadaputa.
Ainda não sacou o que acontece de verdade
por aqui!

(B. B. Palermo)

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