Aniversário, dois dias reunindo amigos, churrasco, bebida, muitos planos com meu amor, debates sobre o que fazer para salvar a humanidade. Bora comemorar, afinal não é todo o dia que se envelhece na praia do A. Texas.
Dez da noite do segundo dia, não consigo disfarçar uma mistura de bocejo com o tédio sacana, que ri: "E aí, Palerminho, o que tu vai fazer agora que a festa acabou?".
Em silêncio, peço uma trégua. Meu cafofo está mais ansioso do que eu, esses dias todos me esperando, e sinto um pouco sua falta, do seu jeito meio bagunçado de ser.
Ingênuo, não percebi que meu amor andou me testando. Sim, como se eu estivesse fazendo um estágio. Até que ponto eu sobreviveria, durante dois dias, o tempo todo juntos. Será que ela suportaria meus humores geminianos maluquinhos?
Ela notou o meu bocejar e também a minha cara meio inchada pelo falta de sono. Foi solene:
- Faz tempo que tu não vai ao médico, né?
E abriu as cartas de tarô, que ganhou de uma tia:
- Amor, tu precisa tomar vitamina B12. É por isso que tu anda assim cansado!
Nessa hora me dei conta de que o cerco estava se fechando. E agora, o que faço? Ser ou não ser original?
Imaginei os comentários de alguns amigos, rindo cruéis : "Quem te viu e quem te vê!". "Isso não te pertence mais, Cadelão!". "Cadê o poeta que canta por aí sua doce busca pela originalidade?".
Não consigo resistir quando ela sussurra em meu ouvido:
- Amorzinho, tu está aqui porque é um pedido especial que eu fiz pro universo. Tu chegou atrasado na minha vida, e agora não tem mais volta!
Coisas acontecem, e só um Palermo enfeitiçado é que não percebe.
- De agora em diante eu vou te dar 100 pila por semana pra tu ir pro boteco beber, os cartões serão resgatados e guardados na minha bolsa, e vou reorganizar as tuas finanças.
(B. B. Palermo)
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