Acordei com a boca seca de uísque barato,
e ela disse que os outros eram cópias
eu, o original.
Logo pensei na minha performance
na cama, no sofá, na pia da cozinha
- essa porra de ego masculino
que a gente carrega como uma dívida
que nunca pediu.
Mas ela disse:
- Sexo não é tudo, amoreco,
é só um complemento!
E eu ali
com a calcinha dela no bolso
e a ideia fixa de que precisava
estar sempre de p* duro
como se o mundo fosse acabar
se ele despencasse.
Ela me olhou
com aqueles olhos que já viram
tanta m* de homem
tanta performance vazia
tanto ator pornô de terceira categoria
tentando provar alguma coisa.
E eu percebi
tarde demais, como sempre,
que ser original
não era sobre quantas vezes
eu conseguia gozar
ou fazê-la gozar.
Era sobre estar ali
de pau mole e alma exposta
sem a armadura do desejo
sem a necessidade de performar
como um idiota no palco
de um teatro que ninguém assiste.
Sexo não é tudo,
é apenas o que sobra
quando você não tem coragem
de amar de verdade.
E eu,
que nunca tive coragem de nada,
fiquei ali
com a calcinha dela no bolso
e a voz dela na cabeça
como uma sentença
que eu não sabia
se era absolvição
ou condenação.
(B. B. Palermo)
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