segunda-feira, 22 de junho de 2026
Não era só futebol
segunda-feira, 15 de junho de 2026
Não adianta fugir
terça-feira, 2 de junho de 2026
Original
quinta-feira, 21 de maio de 2026
O ateu que frequenta centro espírita
O ateu que frequenta centro espírita é uma contradição ambulante - e eu me incluo nesse grupo. Além de não acreditar em nada, atribuo meus deslizes etílicos a entidades astutas. É conversa inútil, cerveja que evapora e uma névoa que embaralha as ideias. No dia seguinte, a ressaca me sufoca. Alguns chamam isso de espírito obsessor. Eu chamo de falta de vergonha.
Amoreco percebe e tem um radar emocional de dar inveja à NASA. Me deixa sofrer, só observando, na pose de “eu avisei”. Amo quando ela repete verdades óbvias que eu esqueço - culpa, claro, da tal entidade invisível.
Simpatizo com mundos paralelos. Sou ateu, mas fã da frase “en brujas no creo… pero que las hay, las hay”. Sou ateu e frequentador de centro espírita.
Nosso romance pega fogo quando ela diz:
- Senhor ranço… Te aquieta, senão a chinela vai cantar!
Depois me agarra, me derruba e me sufoca com acessórios que fariam espíritos cochicharem no além. Logo corta o barato:
- Sossega, rancinho. Amor não é só sexo. Vai ler teu livro.
Ah, a meia-idade… A gente quer quantidade antes que o corpo entre em recesso.
Dormir junto, então, é uma ciência exata que eu nunca aprendi. Minhas patinhas congelam no outono, enquanto ela dorme com um lençol, fervendo como caldeira. De conchinha, viro sauna humana.
E há os meus sonhos. Quando exagero na comilança, passo a noite jogando futebol. Ontem, sonhei que jogava contra adolescentes que me driblavam brincando. A cada humilhação, revidava com carrinho - e na cama isso virou chute e voadora. Amoreco acordou achando que eu estava tendo um treco ou um ataque de sinceridade.
Quando viu o lençol encharcado, achou que eu tinha virado o Santo Sudário.
Posso ser cético e ateu convicto. Mas quando a vida apronta, quando o amor perde a paciência… aí eu me pego sentado, humilde, tomando passes num centro espírita.
Ateu sim. Mas frequentador fiel. Porque, no fim das contas, ninguém é tão ateu assim quando precisa de ajuda para compreender o invisível - ainda mais se for o invisível que mora dentro da gente.
(B. B. Palermo)
terça-feira, 19 de maio de 2026
Prainha sossegada
sexta-feira, 15 de maio de 2026
Norte
sábado, 2 de maio de 2026
Metade lobo, metade homem
sexta-feira, 24 de abril de 2026
Sexo não é tudo
quarta-feira, 22 de abril de 2026
Você é um poeta esquisito
segunda-feira, 20 de abril de 2026
Retiro espiritual
sexta-feira, 17 de abril de 2026
E agora, Palermo?
quarta-feira, 15 de abril de 2026
Respirando sem ajuda do aparelho
terça-feira, 31 de março de 2026
Há um buraco no peito
quarta-feira, 25 de março de 2026
Apenas um ponto de ônibus
terça-feira, 24 de março de 2026
O zumbido e o amor
domingo, 15 de março de 2026
Você me ama?
terça-feira, 10 de março de 2026
O Poeta que escutava
Havia um
homem chamado Zé que carregava nos ombros o peso silencioso das estrelas. Não
era comum: enxergava o mundo com olhos de quem já visitou outros planetas e
voltou para contar - não histórias, mas silêncios.
Os
terráqueos o chamavam de poeta, embora ele raramente escrevesse versos. Sua
poesia morava no espaço entre uma pergunta e uma resposta, na curva atenta do
pescoço quando alguém falava.
Numa
noite qualquer, encontrou uma mulher pequena - não de estatura, mas de ânimo.
Ela carregava dentro de si um oceano negro, bebia para afogar baleias
invisíveis.
Zé não
pregou. Não aconselhou. Simplesmente sentou-se ao lado, ofereceu sua bebida e
tornou-se ombro. Tornou-se ouvido.
E naquele
ato humilde - escutar sem esperar sua vez de falar - aconteceu o milagre que
não tem nome religioso: as tristezas da mulher começaram a sair. Primeiro em
gotas, depois em rios, até que o oceano diminuiu.
Foi nesse
momento que a visão me arrebatou. Imaginei: e se todos fizéssemos assim? Se ao
invés de armas, déssemos atenção? Se ao invés de gritar, perguntássemos? Quantas
guerras não seriam evitadas - nos lares, nas mesas de escritório, nas
fronteiras - se apenas nos escutássemos? O diálogo como ponte, a escuta como
terra fértil onde o outro pode plantar seu sofrimento sem medo de ser ceifado.
Sinto-me,
confesso, pequeno diante dessa verdade. Meus ouvidos estão cansados de tanto
barulho inútil. Mas sei que posso fazer algo. Posso ser, como o Zé, aquele que
arranca uma dorzinha que seja da humanidade. E talvez, aos poucos, nos tornemos
virgens novamente - não de corpo, mas de espírito. Inocentes como poetas que
não semeiam versos, mas flores. Que não conquistam territórios, mas cuidam de
jardins. E enquanto o mundo apodrece em seus gritos, nós, silenciosos,
cultivaremos o que há de mais revolucionário: a ternura de quem sabe ouvir.
(Pensamentos & poemas espirituosos)
quarta-feira, 4 de março de 2026
O Cão da triste figura
Na esquina, onde o ônibus cospe seus passageiros, um vira-latas escolheu-me. Não como quem pede - como quem decreta. Seus olhos de soberano disseram: eu divido tua casa, não tua cadeia. E assim entrou Arthur, trazendo nas patas o pó das ruas que chama de lar.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
Doutor Ranço
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Cachorrona
Não era só futebol
Por que não falar em nomes, já que tudo começa por aí? Vila Faguense. Juventus. E os nossos próprios nomes, dados pelos pais no batismo. O t...
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Uma luz colorida baixou. pensei: é hoje! Um sinal, talvez, de que pertenço a um mundo melhor, onde ninguém morre antes da hora, as criança...
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O rato Roque roque, roque Rói o queijo roque, roque Rói a cama roque, roque O pé da mesa roque, roque Rói o pão roque, roque O c...
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