segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Será que um dia

 


Cambaleantes, latões numa mão,

a outra segurando a caixa térmica 

das bebidas, 

os caras retornam da praia à tardinha. 

Suas esposas enormes e sérias 

e narizes empinados

debulham ladainhas

e seguem na frente, 

indicando o caminho.

As crianças, bem nutridas

e com algum tédio,

caminham lentamente. 

Diante dos sujeitos embriagados,

empurrando seus porres

e casamentos e férias,

é impossível não me perguntar:

Será que um dia eu chego lá?


(B. B. Palermo)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

A dona do hospício

  Malukinha trancou-me a sete chaves no quarto mais protegido da casa. Não que eu seja perigoso - sou apenas noiado, o que, no fundo, é quas...