terça-feira, 12 de junho de 2018

Boate azul


Uma coisa legal das casas noturnas é que, se você tem grana, você pode escolher música boa para ouvir. Pagando, as garotas até se esforçam para entender e curtir aquele som que não é lugar comum. Hoje, um dos lugares comuns é o sertanejo universitário.
Uma música que marcou minhas primeiras incursões em casas noturnas foi “Boate azul”. Caramba, os caras que a compuseram captaram muito bem o sentimento desses solitários amantes se arrastando de madrugada em busca de afeto.
Nas primeiras dores de corno eu literalmente desejava cortar os pulsos. Com o tempo aprendi que a bebida, especialmente a cerveja, me alegra e então os pulsos permanecem preservados. Aprendemos com a idade a ter cautela e paciência e até uma certa resignação, e então a operação de “cortar os pulsos” – aquele impulso de querer partir dessa – não passa de uma metáfora. Mas que isso dói, ah se dói.

(B. B. Palermo)

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