Poetas de minha terra - Elisa Iv



Ainda jovem desenvolveu
Distúrbios de carinhos
Acabou internada entre braços e abraços
Dosada com beijos e caricias
Viciada em malicia
Coitada muito jovem teve seu primeiro surto
Saiu gritando pelas ruas, deem-me carinhos!
Me façam elogios
Se deitem comigo
Na metade da vida já não via mais saída
Foi trancada, envolvida
Na mais desgraçada clinica
Onde o chão é feito de camisas
Vestidos, corpos despidos
Sentidos jogados no piso!
O amor esse era o pior quarto
Um verdadeiro cubículo
Onde ela se esfregava, gritava
Respirava o medo
Uma doença que fazia com que ela passasse noites gemendo
Pobre mulher
Sedenta por cortejos
Sempre molhando seus dedos
Nas ruas das paixões era encontrada se lambendo
Uma vida de desespero
Ter sua mente tão vulnerável ao despejo
Sua cura ela imaginava ser o apego
Mas sua loucura era maior
Banhada pelo desejo
Não aguentava duas noites
Logo largava o tratamento
E se jogava no primeiro bueiro
Era tirada de la aos trapos
Enrolada em ramos de afetos
Despida por amores pornográficos
Com a boca cheia de silencio
E a mente perdida em devaneios
Pobre menina
Acabou a vida sendo amante das despedidas
Trancada na lucidez de amar sem saber amar a vida
Sua mente era capaz de aguentar uma companhia
Mas seu distúrbio por prazeres era muito valente
Suportava ser louca
Mas não suportava por muito tempo ser de outra pessoa
Seu fim foi exatamente assim
Sozinha entre paredes frias
Gritando por amores que ela mesmo sabia
Que depois de uma noite abandonaria.

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