Príncipes e princesas
acasalam,
bebem,
brigam,
gozam,
engravidam,
divorciam.
Eu ainda me sinto um sapo,
boiando em dilemas,
e às vezes me escondo por dias
num retiro improvisado:
celular desligado,
antenas plugadas no silêncio,
na penumbra, no mistério.
Não tenho medo
dos vossos olhares espertos.
Tenho a coragem que juram
que não tenho.
Príncipes e princesas
sonham,
desejam,
gritam pro mundo
seus amores felizes
e escondem os amores
contrariados.
Sapo, sei bem:
os amores mais doloridos
são os que empurram
o universo.
(B. B. Palermo)